O Rei de Roma

Trama tragicômica da vida real diverte, mas perde oportunidade de se aprofundar no tema que propõe

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07 de março de 2019

Quem nunca se imaginou vivendo em um hotel de luxo cercado (a) de todas as suas mordomias? Pois esta é a vida de Numa Tempesta (Marco Giallini), um carismático bilionário condenado a um ano de serviços sociais após ser apanhado por fraude fiscal. Para tentar salvar o seu mais novo projeto imobiliário no Cazaquistão, Numa usará suas melhores artimanhas, dará uma aula de como crescer na vida a pessoas que com quem jamais imaginou se relacionar e descobrirá que dinheiro não compra uma boa noite de sono.

Uma jornada life changing com limites é a expressão que melhor descreve o tempo que o protagonista de “O Rei de Roma” prestou serviços sociais em um centro de recepção para pessoas em situação de rua. Embora Numa tenha aprendido valiosas lições enquanto era fiscalizado pela administradora do centro Angela (Eleonora Danco) e obrigado a servir comida e lavar banheiros compartilhados, ele não mudou sua essência gananciosa, arrogante e egocêntrica, e o roteiro de Daniele Luchetti (“Meu Irmão é Filho Único” e “Anos Felizes”), Giulia Calenda e Sandro Petraglia (“Anos Felizes”) deixa isso claro. Não há lições de moral, e sim, a vida real com seres humanos ambiciosos e corruptíveis. Luchetti, que dirige o longa, inclusive ridiculiza as tentativas moralistas de Angela de mudar Numa, bem como as tentativas de Numa de ter a tal da empatia e ajudar os menos favorecidos. Nada nem ninguém escapa: todos são caricaturas de si mesmos – nem todas tão engraçadas.

Como uma trama tragicômica da vida real, “Io sono Tempesta” (no original) cumpre seu papel de divertir, ainda que não arranque tantas gargalhadas do público como poderia/deveria. Como sátira que se pretendia, o longa peca pelo exagero em algumas situações para tentar forçar o riso e por não se aprofundar o suficiente no cerne dos personagens. No final do segundo ato, o filme se transforma quase numa comédia de erros vazia de conteúdo, apesar de espirituosa. Parece que Luchetti se perde de seu objetivo inicial e desiste do aprofundamento em prol de nadar no mar raso do cômico fácil. Decepciona um pouco, mas, no final das contas, não deixa de divertir o espectador.

 

 

O Rei de Roma (Io sono Tempesta)

Itália – 2018. 97 minutos.

Direção: Daniele Luchetti

Com: Marco Giallini, Elio Germano, Marcello Fonte e Eleonora Danco.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3