O Segredo dos Diamantes

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26 de dezembro de 2014

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Conhecido pela familiaridade com tramas infanto-juvenis após dirigir “A Dança dos Bonecos” (1986) e “Menino Maluquinho” (1995), Helvécio Ratton adiciona no currículo outro filme voltado aos mais jovens. No cenário atual do cinema brasileiro, longas de ficção para crianças e adolescentes entram no circuito pela via da importação e, muito procurados pelos espectadores, inflam as caixas registradoras das bilheterias. Somos inexperientes em filmes do tipo e “O Segredo dos Diamantes” surge como bem intencionada produção destinada a evidenciar essa lacuna. O roteiro debruçado na aventura de caça ao tesouro, tema bastante vívido nos Estados Unidos, berço de “Os Goonies” (1985) e da série “Indiana Jones”, ambos de Steven Spielberg, preserva tenazmente a tradição verde e amarela, uma sensação provocada pelo cenário, pela escolha de Minas Gerais como pano de fundo.

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O personagem central do filme é Ângelo (Matheus Abreu), um menino de 14 anos que sobrevive ao acidente de carro que vitimou gravemente seu pai. Diante da humilde condição financeira da família, sem dinheiro para transferir seu pai para um hospital mais equipado, Ângelo acredita ter descoberto a solução dos problemas: ele se interessa por uma lenda de tesouros perdidos e decide partir, com a ajuda dos amigos Carlinhos (Alberto Gouvea) e Júlia (Rachel Pimentel), em busca das preciosidades escondidas em algum canto de Minas Gerais. As pedras nada valiosas encontradas no caminho ficam por conta da inexperiência dos atores adolescentes, nota-se que certas passagens pecam na artificialidade. No elenco adulto, Dira Paes, em um papel pequeno, merece destaque em um quadro de desempenhos oscilantes. Com roteiro escrito por L.G.Bayão, roteirista do recente “Irmã Dulce” (2014) de Vicente Amorim, o filme consegue entreter os mais novos sem que para isso seja necessário entediar os adultos, mesmo com a narrativa clássica dos padrões televisivos. Prova disso é o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular concedido no 42º Festival de Gramado. Lauro Escorel, profissional estreante na época do Cinema Novo, assina a fotografia impecável do filme. A constante presença da tecnologia é uma das preocupações do roteiro, a aventura de Ângelo é guiada não somente por um antigo manuscrito, mas também por um smartphone, mais um ponto de identificação para o público alvo. Isolado nas salas de cinema como uma raridade, “O Segredo dos Diamantes” é ficção infanto-juvenil nascida em terras brasileiras, agora resta ao público empreender a descoberta.


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