O Senhor do Labirinto

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13 de dezembro de 2014

O cinema brasileiro vive momentos estranhos. Se por um lado há uma grande atividade cinematográfica movimentando o mercado, por outro há uma enorme dificuldade na distribuição e exibição. As assessorias de imprensa e divulgadoras encontram muitas dificuldades para lançar seus títulos e quando finalmente conseguem, tem que enfrentar a má qualidade de projeção das salas de cinema que não investem em equipamentos adequados de som e imagem. É o caso de O Senhor do Labirinto que chega ao circuito carioca com quase quatro anos de atraso prejudicado pela má qualidade da cópia enviada para a cabine de jornalistas (o filme foi exibido no Festival do Rio de 2010 e recebeu o prêmio de melhor filme na escolha do júri popular).

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Baseado no livro “Arthur Bispo do Rosário – O Senhor do Labirinto” de Luciana Hidalgo, o filme conta a história do sergipano Arthur Bispo do Rosário, vítima de esquizofrenia que passou boa parte de sua vida na colônia penal Juliano Moreira no Rio de Janeiro. Assombrado por vozes místicas e alucinações, Bispo produziu um vasto acervo artístico que hoje é reconhecido mundialmente como parte da arte contemporânea.

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Não há dúvida que o argumento abordado possui elementos interessantes sobre o poder transformador da arteterapia no indivíduo e na sociedade, mas o diretor pernambucano Geraldo Motta, que divide a direção com Gisella de Mello (estreando em longas) preferiu adotar uma narrativa linear sem nenhuma reflexão sobre o assunto. O resultado é um filme enfadonho com uma estrutura sem harmonia que quer abraçar todas as possibilidades para tratar de um tema tão complexo, o que o leva a lugar nenhum. Outro desacerto fica evidente nas elipses desconexas que não respeitam o arco dramático desafinando a harmonia de um texto que nas mãos de um diretor mais focado obteria excelentes resultados. A maquiagem dos atores na parte final é um capítulo a parte, que nem vale à pena comentar de tão bizarra que é.

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Embora existam traços de esforços individuais (como a dedicada atuação de Flávio Bauraqui como o artista atormentado pela loucura), O Senhor do Labirinto é um filme sem quase nenhuma identidade, mas merecia um tratamento melhor dos exibidores e distribuidores que ajudaram a desgastar o poder de persuasão desta obra.

 

O Senhor do Labirinto

Brasil, 2010. 80 min.

Direção: Geraldo Motta e Gisella de Mello

Com: Flávio Bauraqui, Irandhir Santos, Maria Flor, Eriberto Leão, Odilon Esteves.

 


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