‘O Sequestro’: produção problemática e previsível de uma atriz em decadência.

Protagonizado por Halle Berry, longa entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 14.

por

12 de setembro de 2017

Após um pequeno período sabático onde resolveu se afastar das telas para cuidar de seus dois filhos, Halle Berry retorna com mais um thriller inexpressivo que consegue ser pior que o medíocre “Chamada de Emergência” (The Call, 2013). Aqui a atriz faz sua estreia como produtora levantando suspeitas sobre o tipo de rumo que quer tomar para sua carreira. Desde que ganhou o Oscar em 2001 pelo drama “A Última Ceia” (Monster’s Ball) e o status de ser a primeira mulher afrodescendente a receber o prêmio máximo da Academia, a atriz de 51 anos, vem descendo a ladeira, tal e qual uma versão feminina de Nicolas Cage.

Longa marca a estreia de Halle Berry como produtora (Foto: Divulgação).

Longa marca a estreia de Halle Berry como produtora (Foto: Divulgação).

“O Sequestro” (Kidnap, no original) dirigido pelo espanhol Luis Prieto (conhecido pelo filme “Pusher” de 2012 e pelas séries de TV, incluindo “Code Black” e “Z-Nation”) e escrito pelo estreante Knate Lee (também produtor executivo) foi realizado em 2014 e engavetado até 2017 por problemas financeiros. Ou seja, uma produção que já nasceu problemática.

Provavelmente seduzida pela maternidade recente, Halle interpreta Karla Dyson, uma mãe solteira e trabalhadora que sai em uma frenética missão para resgatar seu filho sequestrado em um parque. A simplicidade da trama não é desculpa para apresentar um trabalho tão enfadonho. Prieto estica a narrativa até os limites suportáveis e deposita toda a responsabilidade nos ombros da atriz que conversa com a plateia atrás de um volante explicando cada etapa do sequestro. Quando não há nada para dizer, o diretor dá um jeito de encaixar longas sequências de perseguição, estradas, pneus e velocímetro sem uma edição frenética e óbvia sustentado por uma trilha rotineira. Isso sem mencionar uma das mais constrangedoras cenas de luta do cinema entre Karla e a sequestradora obesa dentro de um veículo em movimento.

Sage Correa e Halle Berry em cena (Foto: Divulgação).

Sage Correa e Halle Berry em cena (Foto: Divulgação).

O filme transcorre de maneira previsível com uma trama exaustivamente explorada pelo cinema de ação. Uma mulher forte, mas desamparada pelo poder público, defendendo seu mais amado patrimônio – seu filho de nove anos – das mãos de sequestradores caipiras. A mensagem subliminar é clara e evidente: de um lado temos o legado de Obama (aqui representado por uma heróica Halle) sendo destruído pela ala republicana (representada por uma quadrilha de sequestradores jecas – interpretada por um elenco branco).

Mas apesar de toda essa previsibilidade “Sequestro” é um filme que terá seguidores e admiradores e será muito bem recebido quando passar na TV aberta daqui alguns anos. Halle continuará acreditando que é fiel em sua luta por um lugar ao sol hollywoodiano e continuará fazendo filmes tão (ou mais) constrangedores que este. Em minha humilde opinião, era melhor que Halle tivesse se retirado quando ainda era um símbolo feminista e racial de um país preconceituoso e machista.

Avaliação Zeca Seabra

Nota 1