O Sétimo Filho

Ben Barnes vive o típico Eleito com características peculiares aos demais

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12 de março de 2015

Livremente inspirado no primeiro volume de “As Aventuras do Caça-feitiço”, uma série de treze livros (sendo apenas oito lançados no Brasil) de Joseph Delaney, “O Sétimo Filho” é um filme repleto de aventura e fantasia que se passa numa espécie de Idade Média, onde seres humanos e criaturas mágicas convivem num condado. Na trama, Jeff Bridges é Mestre Gregory, o último guerreiro remanescente de uma ordem mística, um caça-feitiço que protege a população contra as forças das trevas. Ele parte em busca de um rapaz com poderes especiais predestinado a se tornar um herói, o sétimo filho de um sétimo filho Tom Ward (Ben Barnes), para tomar como seu aprendiz e fazê-lo seu sucessor. Mestre e aprendiz viajam juntos rumo ao combate da terrível Mãe Malkin (Julianne Moore), a rainha das bruxas que se livrou de sua prisão e convocou seu exército de feiticeiros maléficos para dominar o mundo.

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Já familiarizado com o gênero (o ator atuou em “Stardust – O Mistério da Estrela”, “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian” e “As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada”), Ben Barnes apresenta um protagonista correto, porém sem nenhum diferencial em relação a outras histórias com a mesma estrutura, como a recente “O Doador de Memórias”, de Phillip Noyce. Jeff Bridges, inclusive, retoma o papel de mentor que teve no longa Noyce em “O Sétimo Filho”, apresentando uma mistura de Cogburn de “Bravura Indômita” com o Doador em seu Mestre Gregory. Julianne Moore encarna uma bruxa ao estilo de Theodorah e Evanora de “Oz: Mágico e Poderoso”: bela, charmosa e, por isso, mais perigosa.

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Dos mesmos produtores de “Godzilla” e “300: A Ascensão do Império”, “Seventh Son” (no original) é o longa de estreia do diretor Sergei Bodrov em Hollywood, com ótimos efeitos visuais e um 3D bem aplicado nos primeiros 15 minutos de filme, que se torna irrelevante no restante da fita. O alto investimento em efeitos, no entanto, não compensa o roteiro raso de Matt Greenberg (“1408”), Steven Knight (“A 100 Passos de Um Sonho”) e Charles Leavitt (“Diamante de Sangue”), que se mostra um amontoado de clichês e de referências de diversas obras já conhecidas pelo público. A história, que tinha muito mais a oferecer, é mal explorada, não desenvolve os personagens como deveria e é cheia de sequências previsíveis, como as cenas-relâmpago do romance proibido. Além disso, a tão esperada resolução – a batalha final – acontece de maneira muito rápida e fácil, num ritmo frenético, minimizando o grande perigo enfatizado anteriormente. Desse modo, “O Sétimo Filho” acaba sendo apenas mais um filme com um herói predestinado a salvar o mundo, mas que funciona bem como entretenimento descompromissado.

 

O Sétimo Filho (Seventh Son)

EUA /Reino Unido – 2014. 102 minutos.

Direção: Sergei Bodrov

Com: Julianne Moore, Ben Barnes, Jeff Bridges, Alicia Vikander, Djimon Hounsou, Olivia Williams, Antje Traue, Timothy Webber e Kit Harington.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3