Obrigado por Jogar

O game como arte para lidar com a morte

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11 de outubro de 2015

O amor de um pai por seu filho é o grande elo que conecta “Obrigado por jogar” com o público. Ele é capaz de emocionar e atrair mais pessoas para escutarem sua história. Já a morte é um tema que costuma incomodar, sobretudo na civilização ocidental. Quando falamos de câncer – um dos mais lentos, dolorosos e desgastantes modos de morrer – a rejeição tende a ser maior. E quando tratamos de um documentário sobre uma criança de quatro anos de câncer terminal, qualquer exagero na narrativa pode torná-lo apelativo.

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Essa rejeição à morte (uma das mais irresponsáveis hipocrisias de nossa cultura) talvez tenha nos deixados despreparados para lidar com o assunto. E a forma que esse pai encontrou para lidar com a possível morte de seu filho é o grande tema central desse documentário.

O filme conta a história de Ryan Green, um desenvolvedor independente de video-game que decidiu criar um jogo para documentar as experiências de se criar uma criança com câncer. O filme acompanha o processo de criação do jogo “That Dragon, Cancer”, enquanto a saúde de seu filho Joel piora gradativamente.

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O filme ainda esbarra em outras pautas como a discussão se os games podem ser tratados como arte. Se pensarmos na arte como uma forma de expressão humana, seja para fugir de algo, seja para confrontar sentimentos, esse jogo pode ser considerado um passo em direção ao futuro.

O documentário retrata momentos íntimos da família de Ryan, intercalando com trechos do jogo que retratam essas passagens de forma poética. O contraste das brincadeiras infantis com a dureza do tratamento conferem ao filme um tom pesado. Mas a poesia da arte e o amor do pai está quase sempre presente para salvar. Quase sempre.

Festival do Rio 2015 – Midnight Docs

Obrigado por Jogar (Thank You for Playing)

EUA, 2015. 65 min.

De  David Osit, Malika Zouhali-Worral

 


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