Operação Red Sparrow

Novo filme dirigido por Francis Lawrence promete muito, mas deixa um pouco a desejar

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01 de março de 2018

Baseado no best-seller homônimo de Jason Matthews, “Operação Red Sparrow” é a quarta parceria entre Jennifer Lawrence e o diretor Francis Lawrence, que esteve à frente dos três últimos filmes da franquia “Jogos Vorazes”, estrelada pela atriz. O longa se centra em Dominika Egorova (Jennifer Lawrence), ex-bailarina do Bolshoi, companhia de balé mais famosa do mundo, que é convencida (ou melhor, obrigada) por seu tio Ivan Egorov (Matthias Schoenaerts) a se tornar uma Sparrow, sendo treinada na melhor escola russa de espionagem. Depois de todo o processo de preparação, em que Dominika se destacou, ela ganha nova identidade e sai em uma perigosa missão contra a CIA, tendo como alvo de sedução o agente Nathaniel Nash (Joel Edgerton). Os dois acabam se envolvendo e colocando em risco seus objetivos e muitas vidas, incluindo as próprias.

O roteiro escrito por Justin Haythe (“A Cura” e “Foi Apenas um Sonho”) é previsível, lotado de plot twists que não são grandes surpresas e não traz nada de novo ao estilo de espionagem CIA versus serviço de inteligência russa, embora seja coerente em suas escolhas, mesmo com alguns furos e pequenas forçações de barra, como a enorme paixão entre os agentes protagonistas. “Red Sparrow” (no original) parece uma mistura de “Atômica” (2017) com nuances de “Salt” (2010), mas sem as boas cenas de ação, com alguns episódios de violência gráfica, mais nudez e três cenas rápidas de sexo, decepcionando os marmanjos que foram ao cinema apenas pensando em ver J Law como veio ao mundo.

O maior problema do longa é justamente se vender como algo que não é, estratégia muito utilizada hoje em dia pelas produções hollywoodianas para levar público às salas de cinema, principalmente através dos trailers. Neste ponto, podemos comparar “Operação Red Sparrow” com “Ninfomaníaca”, que se vendeu como um filme cheio de sensualidade por meio de cartazes com o rosto de cada ator e atriz do elenco simulando prazer, quando, na verdade, era um filme muito violento e sexual, porém com sensualidade quase nula. Expectativas geram frustração, e foi o que aconteceu com boa parte do público que assistiu ao longa de Lars von Trier. Só que neste caso, foi um efeito proposital muito bem pensado pelo polêmico diretor dinamarquês. Já Francis Lawrence quis colocar elementos demais nos longos 139 minutos de filme, com ritmo irregular, e acabou perdendo no quesito luxúria – “Operação Red Sparrow” é bem menos sensual do que gostaria, apesar do esforço de J Law, que domina a tela em cada cena que aparece.

 

Operação Red Sparrow (Red Sparrow)

EUA – 2018. 136 minutos.

Direção: Francis Lawrence

Com: Jennifer Lawrence, Joel Edgerton, Matthias Schoenaerts, Jeremy Irons e Charlotte Rampling.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3