Os Inimigos da Dor

Arauco Hernández Holz tem sua estreia como cineasta mais desgovernada que o destino de seus protagonistas

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19 de maio de 2016

Um ator alemão (Félix Marchand) que viaja até a cidade de Montevidéu à procura da esposa que o abandonou em Berlim, um homem (Lucio Hernández) recém-separado da esposa que acaba de pedir o divórcio por telefone e um homem (Pedro Dalton, vocalista da banda Buenos Muchachos) ex-viciado em drogas. O que eles têm em comum? A pobreza e a insatisfação pela vida. Os três homens, então, se unem pelo sofrimento para ajudar o alemão a encontrar a sua esposa, mas não sem passarem por situações inesperadas. É deste argumento que parte “Os Inimigos da Dor”, longa-metragem que debuta Arauco Hernández Holz como diretor e roteirista.

Foto Fija "Los enemigos del dolor"

Com poucos diálogos, o filme começa como um drama, ganha inserções muito tímidas de humor que quase passam despercebidas e tenta se transformar em um suspense depois que um carro vermelho suspeito aparece atrás de um menino, que surge na trama sem explicações. O alemão não fala nem entende quase nada de espanhol, mas insiste em falar em sua língua natal com os outros enquanto gesticula. As situações pelas quais passam juntos que fazem com que os homens se entendam entre si – é a solidariedade masculina falando mais alto.

Os Inimigos da Dor2

“Los Enemigos del Dolor” (no original) é um longa bastante problemático, a começar pelo fato de que Holz quis abordar temas diferentes sem se aprofundar em nenhum. A trama de seu filme de estreia carece de organização e coerência, além de possuir personagens muito mal construídos sem nenhuma profundidade, apenas com uma rápida apresentação para depois se iniciarem as sequências confusas com inserções de pequenos personagens que não acrescentam em nada na história. A coprodução Brasil-Uruguai tem até um pastor evangélico envolvido com crime e pedofilia que prega em português em sua pequena igreja para um “rebanho” falante da língua espanhola. É louvável querer mostrar um outro lado de Montevidéu, mas pouca coisa foi levantada sobre os subúrbios escuros da cidade, ainda mais escurecidos por uma fotografia excessivamente sombria. Holz se focou nos três protagonistas e em suas inconsistentes aventuras juntos, sem se importar em desenvolver o enredo como um todo. Até o encontro do alemão com a esposa, que deveria ser um grande momento na trama, teve um desenrolar estranho. “Os Inimigos da Dor” é aquele típico filme que tenta ser profundo, porém nada faz sentido.

 

Os Inimigos da Dor

Brasil / Uruguai – 2014. 80 minutos.

Direção: Arauco Hernández Holz

Com: Félix Marchand, Lucio Hernández e Pedro Dalton.

 


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