‘Os Meninos que Enganavam Nazistas’

Baseado em fatos reais, longa estreia nesta quinta-feira, dia 03.

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01 de agosto de 2017

A Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) é constantemente retratada nas telas de cinema tanto em superproduções quanto em filmes mais delicados, dentro e fora de Hollywood. Nesta quinta-feira, dia 03, chega às salas brasileiras “Os Meninos que Enganavam Nazistas” (Um sac de biles – 2017), uma sensível adaptação do best-seller homônimo escrito por Joseph Joffo – a história também foi adaptada por Jacques Doillon em “Um sac de biles” (Idem – 1975).

Dorian Le Clech e Batyste Fleurial em cena (Foto: Divulgação).

Dorian Le Clech e Batyste Fleurial em cena (Foto: Divulgação).

Conduzido por Christian Duguay, o longa conta a história real da família Joffo, obrigada a se separar devido à ocupação nazista na França no início dos anos 1940, focando no drama dos dois filhos mais novos, Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech). Fugindo da barbárie, os irmãos saem de casa à noite rumo à chamada Zona Livre, mais especificamente Nice, onde seus irmãos mais velhos o aguardam. O caminho cheio de percalços é só um aperitivo da série de humilhações e perigos aos quais foram expostos. Utilizando a esperteza em prol do instinto de sobrevivência, os dois enganam tanto os oficiais do Terceiro Reich quanto seus colaboradores franceses, contando com a ajuda de desconhecidos.

Com um roteiro bem amarrado que permite a fluidez narrativa, apesar de conter alguns momentos de superficialidade, “Os Meninos que Enganavam Nazistas” prima por sua direção de arte, fotografia, montagem e figurino, mas escorrega na pieguice de sua trilha sonora e na maquiagem, pois alguns anos se passam e os personagens não apresentam nenhuma mudança física. Tais mudanças deveriam ter sido mostradas tanto como consequências naturais da tensão e escassez de recursos quanto do próprio desenvolvimento dos meninos, que começam o longa com 12 e 10 anos de idade e, portanto, já eram adolescentes ao final da guerra.

Em frente à barbearia da família, os meninos observam os oficiais alemães (Foto: Divulgação).

Em frente à barbearia da família, os meninos observam os oficiais alemães (Foto: Divulgação).

Porém, o maior trunfo deste longa é o seu elenco completamente integrado que oferece atuações impecáveis, sobretudo de Batyste Fleurial e Dorian Le Clech. Os garotos esbanjam química entre si e assimilam com muita naturalidade o drama de seus respectivos personagens, concedendo-lhes leveza sempre que possível e, acima de tudo, veracidade a tudo o que é apresentado na tela.

“Os Meninos que Enganavam Nazistas” não é uma produção sobre campos de batalhas nem de extermínio, apesar de citá-los, mas sobre as consequências da Segunda Guerra Mundial nas famílias europeias, judias ou não. Isto porque uma das consequências impostas pela barbárie de Hitler e seus asseclas separou inúmeras famílias, interrompendo a infância de crianças que tiveram de lutar por sobrevivência, obrigando-as a amadurecer precocemente. Com isso, etapas importantes da transição para a vida adulta foram suprimidas brutalmente, deixando feridas de difícil cicatrização. Neste ponto, é imprescindível destacar o peso de uma simples e gasta bolinha de gude que Joseph carrega para todos os cantos como uma espécie de amuleto, que se torna um símbolo da infância perdida diante do maior de todos os choques de realidade.

Avaliação Ana Carolina Garcia

Nota 3