Paddington 2

A continuação de “As Aventuras de Paddington” consegue divertir bastante o público infantil, mas desta vez deixa a diversão dos adultos um pouco de lado

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31 de janeiro de 2018

Sequência de “As Aventuras de Paddington” (2014), “Paddington 2” nos traz mais trapalhadas do urso que tem uma disputa acirrada com o Ursinho Pooh para saber quem é mais gentil. O pequeno Paddington foi adotado pela família Brown e se tornou popular na comunidade de Windsor Gardens. Muito amoroso, ele sai em busca do presente perfeito para comemorar o aniversário de 100 anos de sua tia Lucy e acaba encontrando um livro único na loja de antiguidades do senhor Gruber (Jim Broadbent). Quando o livro é roubado, Paddington e sua família fazem de tudo para encontrar o verdadeiro ladrão depois que o urso é preso por engano.

PADDINGTON 2

O roteiro escrito por Paul King e Simon Farnaby, que inicialmente se atém à rotina de Paddington já adaptado à vida familiar com os Browns em Londres, se divide em três subtramas interligadas após o falso flagrante da polícia: o dia a dia de Paddington na prisão, as investigações encabeçadas pelos Brown para provar a sua inocência e uma caça ao tesouro relacionada ao tal livro feita pelo vilão Phoenix Buchanan (Hugh Grant). Como sempre apaixonado por marmelada de laranja, Paddington acaba conquistando a todos na prisão através do doce e é neste cenário que ocorrem algumas das cenas mais divertidas do longa, já que, diferentemente do primeiro, este possui pouquíssimos elementos e referências capazes de prender a atenção dos adultos e é muito mais voltado para o público infantil. As sequências de desastres causados por Paddington continuam sendo o ponto alto da trama, levando principalmente as crianças às gargalhadas, mas há um excesso de inocência e ingenuidade que beira o bobo em certos momentos e começa a cansar depois de um tempo, além da previsibilidade do roteiro, até para as crianças.

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Mais uma vez à frente da direção, Paul King consegue adaptar para as telonas um dos maiores clássicos da literatura infantil britânica de Michael Bond, com furos e problemas no enredo, mas cumprindo o seu objetivo: agradar o público ao qual se destina e ser um filme para toda a família, mesmo que não fisgue tanto os mais velhos como no filme anterior. King, entretanto, se perde ao tentar conduzir um mistério numa trama tão simples e pueril, com um vilão bastante caricato que protagoniza algumas das cenas mais entediantes da obra (saudades, Nicole Kidman). A troca de Danilo Gantilli por Bruno Gagliasso na dublagem brasileira, provavelmente encorajada pelas recentes polêmicas envolvendo o humorista e apresentador, foi um grande acerto, assim como Márcio Garcia na voz do vilão Buchanan.

Paddington 2-3

“Paddington 2” é um longa cujo tom é dado por seu protagonista, então traz uma mensagem bastante positiva sobre a importância de todas as famílias que construímos ao longo da vida de forma muito leve, amigável e inocente. Se não fosse pelo exagero na ingenuidade, as cenas de mistério um tanto monótonas e a falta de elementos para adultos, provavelmente esta continuação conseguiria alcançar o mesmo nível da primeira, mas o que importa é que diverte bastante a criançada.

 

Paddington 2 (Idem)

França / Reino Unido – 2017. 104 minutos.

Direção: Paul King

Com: Ben Whishaw, Hugh Grant, Hugh Bonneville, Sally Hawkins, Julie Walters, Jim Broadbent e Brendan Gleeson.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3