Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2

Filme para crianças maduras ou para adultos-crianças?

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15 de julho de 2019

Fim de semana foi tempo de ver “Pets – A Vida Secreta dos Bichos 2” de Chris Renaud com a família e sobrinha!

Devo começar esse texto admitindo desde já que chorei em 2 cenas desta sequência modesta para o sucesso calculado do primeiro filme, não obstante reconhecer que derramei algumas lágrimas motivado mais pelas minhas próprias lembranças associativas com meus saudosos pets…, do que por causa da habilidade do roteiro em si — independente da eficiente montagem durante os créditos finais com fotos reais de crianças com seus pets. Mas foi bom ver a atualização do fiapo de história do primeiro exemplar para este de agora, no intuito de incluir o relacionamento dos pets com as crianças (lição copiada provavelmente do sucesso da franquia “Toy Story”) e a dupla faceta psicanalítica que eles ocupam na educação desde pequenos: Tanto como uma espécie de “babás” do cuidado com a criança com uma consciência protetiva extremamente aguçada; quanto de outra faceta na projeção de personalidades, numa espécie de osmose de doenças e psicossomático, como se os pets adquirissem doenças e neuroses de acordo com as lacunas e vicissitudes familiares… Bem interessante esta parte.

Para além disso, confesso que a primeira metade mais Freudiana pareceu empolgar e divertir bem mais a mim (adulto, apesar de bastante conectado com minha criança interior), enquanto que minha sobrinha passava a ficar mais envolvida conforme as tramas paralelas (em que o enorme elenco de pets se subdivide na primeira metade) abriam  espaço para mais ação e fabulação desenfreada — como o vilão circense, um pouco excessivo e canastra demais, usando negativamente a imagem do tão combalido amor das crianças pelo circo, mas aproveitando para denunciar maus tratos aos animais. Então, há um saldo positivo, mas a forma de contar a história poderia ter sido outra, para além de depender tanto de esquetes com piadas pontuais.

É válido creditar alguns pontos extras para a subtrama que fica como ponte entre a psicanalítica e a de ação circense, onde a personagem da gatinha precisa ensinar os cães a serem gatos para cumprir com outra etapa do filme. Muito interessante o encontro de expectativas e a gama de diferenças na relação com os seres humanos. Sem contar que há certa evolução na palheta de cores desenhadas para desenrolar a ação tanto na cidade de Nova York, que já era uma das protagonistas do filme anterior, quanto em novos ambientes, como o campo no interior onde surge um interessante personagem maduro e sisudo com a voz no original dublado por Harrison Ford (um cachorro curiosamente nomeado de Galo/Rooster).

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Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3