Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

Continuação consegue ser melhor que as anteriores, porém ainda é mais do mesmo

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26 de maio de 2017

Em sua quinta incursão pelos mares amaldiçoados dominados por piratas e criaturas misteriosas e bizarras, a franquia “Piratas do Caribe” já vem sofrendo de falta de criatividade desde o terceiro filme, último dirigido por Gore Verbinski, que ainda se aventurou em mais um barco furado com Johnny Depp em “O Cavaleiro Solitário”. A fórmula continua a mesma: o Capitão Jack Sparrow precisa derrotar um vilão poderoso sobrenatural para evitar que algo terrível aconteça, enquanto busca um artefato misterioso e acaba juntando um casal.

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Desta vez sob a direção da dupla Joachim Rønning e Espen Sandberg, conhecida pelo indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro “Expedição Kon Tiki” (2012), Johnny Depp retorna ao papel que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator em 2004 por seus trejeitos afeminados e embriagados, mas que já fatigou o público pela repetição de seus tiques em outros personagens fora da franquia. Em “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, o jovem Henry (Brenton Thwaites), filho de Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley), precisa encontrar o tridente de Poseidon para quebrar a maldição do pai, aprisionado no navio de Davy Jones (Bill Nighy). Para tal, conta com a ajuda da jovem astrônoma Carina Smyth (Kaya Scodelario), que também tem interesse no artefato, assim como o mapa para chegar até ele, que guarda alguns segredos que ela ainda desconhece. O Capitão Jack Sparrow surge como mais um interessado em encontrar o tridente para se salvar da ira vingativa do Capitão Armando Salazar (Javier Bardem), que está dominando os mares com seu navio fantasma.

PIRATES OF THE CARIBBEAN: DEAD MEN TELL NO TALES

Mais do mesmo, o longa traz o empoderamento feminino por meio da personagem de Kaya Scodelario (saga “Maze Runner”), sem a qual nenhum dos homens conseguiria chegar nem perto de encontrar o tridente de Poseidon. Chamada de bruxa por seus conhecimentos avançados para uma mulher naqueles tempos, a jovem Carina entra como interesse romântico de Henry Turner e talvez exista apenas para haver representatividade, porque Depp recusou uma mulher como vilã quando o roteiro começou a ser escrito. O ex-Beatles Paul McMartney faz uma divertida participação especial como tio de Sparrow, assim como Keith Richards, dos Rolling Stones, já o fez como pai do pirata no longa anterior. Javier Bardem entrega o provável melhor vilão de “Piratas do Caribe” até agora – com certeza o mais carismático.

PIRATES OF THE CARIBBEAN: SALAZARS RACHE

Com roteiro de Jeff Nathanson (“O Terminal” e “Prenda-me Se For Capaz”), “Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell no Tales” (no original), não traz nenhuma inovação para a franquia, somente um novo casal que pode (ou não) dar continuidade ao que já deveria ter acabado. Os ótimos efeitos especiais continuam sendo o ponto forte, exceto pelo Jack Sparrow rejuvenescido, que ficou estranhamente mal feito. Sem a trilha sonora de Hans Zimmer pela primeira vez e Geoff Zanelli assumindo a função, o filme perde uma de suas partes mais importantes e ganha notas extremamente melosas no seu já meloso desfecho. Apesar de tudo, “A Vingança de Salazar” consegue ser melhor que as duas continuações anteriores e deve agradar quem é fã da franquia. Não saia antes dos créditos: tem uma cena extra que vai te deixar com uma pulga atrás da orelha.

 

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell no Tales)

EUA – 2017. 129 minutos.

Direção: Joachim Rønning e Espen Sandberg

Com: Johnny Depp, Javier Bardem, Geoffrey Rush, Kaya Scodelario e Brenton Thwaites.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3