Pixar encanta Cannes ao animar o cérebro humano

Com 'Divertida Mente', exibido fora da competição na Croisette, a empresa de John Lasseter, que revolucionou a animação mundial nos anos 1990 e 2000, volta à boa forma, emplacando um dos roteiros mais originais entre os filmes exibidos no festival

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18 de maio de 2015

Pixar 9

CANNES – Depois de quase cinco anos sem emplacar um filme à altura de sua trajetória gloriosa de acertos, a Pixar recuperou sua boa forma com “Divertida Mente” (“Inside out”), aventura infanto-juvenil cheia de camadas psicanalíticas que levou o 68° Festival de Cannes a alternar pranto e gargalhada na manhã desta segunda. Com um roteiro dos mais sofisticados (talvez o mais engenhoso entre todos os filmes projetados aqui), o longa-metragem do filipino Ronaldo Del Carmen e do americano Peter Docter faz do cérebro humano o cenário para uma trama sobre a superação de um mal-estar em família e sobre a aceitação da dor como parte constitutiva do amadurecimento.

– A alma de uma animação que busca uma identidade artística é sua capacidade de projetar as inquietações de seus realizadores para os personagens. Tem um pouco de mim e de Ronaldo nem 3Divertida Mente”, a começar pela presença de um amigo imaginario na forma de um elefante feito de algodão. Eu tinha um amigo virtual assim quando menino – falou ao ALMANAQUE VIRTUAL o diretor Pete Docter, laureado com o Oscar por “Up – Altas aventuras” em 2010.

Contando com a comediante Amy Poehler como sua dubladora principal, “Divertida Mente” se passa no inconsciente de uma garotinha, Riley, cuja rotina é abalada depois que sua família se muda de Minnesota para São Francisco. Suas atitudes são regidas por sentimentos que têm vontade própria, como a Alegria (dublada por Amy) e a Tristeza (na voz de Phyllis Smith). Depois que a Tristeza passa a infectar o banco de dados de emoções de Riley, a Alegria tenta saber o que sua colega de trabalho anda fazendo de errado e acaba desequilibrando todas as sensações da menina; Para salvar a garota de cair num mar de tédio e de desespero, Alegria e Tristeza vão somar forças, passando por locais escuros da mente como o Esquecimento e a Imaginaão. Neste ultimo, Docter e Del Carmen mostram todo o seu virtuosismo como narradores com uma direçao de arte capaz de evocar mestres das artes plásticas, como Wassily Kandinsky.

Nesta sexta, Cannes recebe outra animação de peso: uma versão em 3D de “O Pequeno Príncipe”, com direção de Mark Osborne.