Polêmica racial acerca do filme Marighella de Wagner Moura

Filme estreou ovacionado no Festival de Berlim 2019

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16 de fevereiro de 2019

Ando recebendo bastante em grupos de whatsapp a imagem abaixo comparando a foto de Marighella e do ator que o interpreta, Seu Jorge, no filme homônimo que acaba de estrear sob chuva de palmas e aclamação no Festival de Berlim 2018.

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Quanto a não “parecer” com exatidão é apenas uma licença poética…

Mas vamos analisar mais profundamente. A questão gira em torno tão somente do colorismo, ok? Marighella era negro. Mesmo que fosse pela denominação mais precisa “negro de pele clara” (mais comumente chamado de “mulato” antigamente e que hoje é uma expressão evidentemente em desuso, pois não se aplica), ele era filho de uma baiana mulher negra e um pai italiano.

O fato de colocarem um negro retinto no papel é uma declaração política de afirmação positiva em questões raciais atuais — ainda mais diante do extermínio da população negra diante de uso excessivo de força policial discriminatória e seletiva contra as pessoas negras todos os dias. E principalmente se tendo uma política negra assassinada ainda sem resposta, Marielle Franco…😢😢😢

Confiram recepção ovacionada do filme e de homenagem à Marielle no Festival de Berlim:

Se quiser saber mais sobre o assunto, leiam no portal Geledes:
https://www.geledes.org.br/carlos-marighella-o-negro-baiano-que-incendiou-o-mundo/

Não estou escrevendo isso dirigido a ninguém específico. Escrevo a todes para desmistificar algo que estão fazendo de tudo para gerar confusão e erros de interpretação. Recebi essa imagem em inúmeros grupos
Muita gente está confusa e é natural perguntar (não acusar). Mas lembremos que juridicamente a questão racial no Brasil ficou marcada pelo autorreconhecimento. Então não caberia a ninguém reconhecer a declaração racial dele a não ser ele mesmo e sua família.

Em meio à tanta violência policial e uso de força excessiva principalmente contra a população negra, ainda mais perante o assassinato ainda impune da Marielle, acho importante sim reconhecer que o personagem era negro, mesmo que reforçando o grau do colorismo para um ator negro retinto — porque é o alvo mesmo de maior perseguição. É uma declaração afirmativa.

Ainda mais porque artistas negros retintos no mundo do cinema são bem menos frequentes e quase nunca protagonizam filmes (em Hollywood então….😣). E acho positivo reconhecerem este espaço para ser ocupado.É muito diferente de um branco interpretar um personagem que poderia ser negro (nada contra ser um grande ator), mas porque brancos sempre tiveram papéis….

Vide até Hollywood como nas poderosas bilheterias das adaptações para o cinema de quadrinhos da Marvel terem redobrado seus esforços com personagens negros que não existiam antes. Seja Nick Fury que era branco, mas foi adaptado de sua versão Ultimate nas HQs onde já era negro. Ou o Homem-Aranha de Miles Morales (que ainda por cima é negro e latino, ambas etnias pouco representadas em heróis, ainda mais se juntas…). E olha que a Marvel ainda tem muito mais heróis negros principais do que a DC…..

O furacão “Marighella” de Wagner Moura com Seu Jorge, Humberto Carrão, Bruno Gagliasso e Adriana Esteves estreou esta semana no Festival de Berlim de 2019.

Vale mencionar que o filme “Marighella” está no topo das indicações de sites especializados estrangeiros como melhor filme do Festival, como no Screen Daily:

https://www.screendaily.com/features/screen-critics-top-films-from-berlin-2019/5137020.article @ Berlinale – Berlin International Film Festival

  • Carlos Chagas

    Negros são os que mais morrem, mas também são os que mais matam! Existe um extermínio negro por causa do racismo ou por causa da violência praticada por eles? – Isso é pesquisa! https://temas.folha.uol.com.br/e-agora-brasil-seguranca-publica/criminalidade/homens-negros-e-jovens-sao-os-que-mais-morrem-e-os-que-mais-matam.shtml

    • Victor

      O extermínio negro no Brasil é crime racial, principalmente. Se você tivesse lido a matéria que você citou com a devida atenção, saberia que apenas 7% das mortes do país são caudadas pelas forças policiais, ou seja, apenas 7% das mortes em território brasileiro são “legalmente justificáveis”. O restante das mortes (de brancos também, mas principalmente de negros) são caudadas por assassinos passionais. Segundo dados do IPEA de 2016, cerca de 80% das mortes de negros são, ao menos, influenciadas pelo fator “racismo”. Obviamente, você é livre para analizar os crimes raciais e para traçar paralelos. No entanto, culpar as vitimas pelos crimes cometidos é apenas mais fácil do que encontrar os verdadeiros culpados. É claro que eu não estou generalizando (odeio generalizar, me considero acertivo), não é todo crime contra um negro que é um crime racial. No entanto, supor que a altíssima taxa de mortalidade dos negros no Brasil é justificada pela taxa de mortes causadas pelos negros é, simplesmente, um absurdo. Isso é pesquisa.

      • Carlos Chagas

        Como sempre aqui se trata de um site esquerdista e já taxaram a minha resposta e outros comentários como Spam – Só quero dizer que esta falácia de genocídio negro só se sustenta na mente insana da esquerda! Vocês detestam ouvir verdades!

      • Carlos Chagas

        EU VOU DESENHAR PORQUE QUEM NÃO ENTENDEU AS ESTATÍSTICAS FOI VOCÊ!

        Os autores do estudo afirmam o seguinte: “A conclusão é que a desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança. Os negros, especialmente os homens jovens negros, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros.” A conclusão e a reportagem omitem, como costuma acontecer nesses levantamentos propícios à demagogia racial, o perfil de quem mata no Brasil.

        No domingo 15 de abril, no entanto, especialistas ouvidos pelo G1 chegaram ao seguinte consenso, que não ganhou destaque: “O
        perfil de quem mata é parecido com o perfil de quem morre.” Eis um trecho da matéria: “Em geral, apontam, são homens negros de baixa renda, com baixa escolaridade, com até 29 anos, e oradores da periferia – especialmente locais onde o Estado é ausente e não atua com políticas públicas. Os especialistas afirmam ainda que as mortes costumam ter alguma relação com o tráfico de drogas.

        Para eles, o aumento no número de crimes violentos está ligado ao fortalecimento e às brigas de facções criminosas.” No sábado seguinte, 21 de abril, uma matéria da Folha confirmou a tese consensual, em trecho que tampouco ganhou destaque. Então cai por terra sua tese de genocídio negro!

        “Traçar o perfil de quem mata no Brasil, por outro lado, é uma tarefa mais difícil, devido à ausência de dados oficiais e à falta de conclusão das investigações sobre a maior parte dos casos. Alguns estudos, porém, oferecem pistas. Um dos mais reveladores é ‘Mensurando o Tempo do Processo de Homicídio Doloso em Cinco Capitais’ (2014), da pesquisadora da FGV Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro, que identifica gargalos na Justiça criminal. O trabalho analisa mortes ocorridas em 2013, com autoria identificada, em Belém, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre e Recife. Os autores dos crimes tinham as mesmas características da maioria das vítimas: homens, negros e jovens.” Ou seja: homens, negros e jovens são os que mais morrem, mas aparentemente são também os que mais matam.

        Esta parte é geralmente omitida por demagogos que tentam transformar em questão racial o problema dos homicídios, que atinge brasileiros de todas as cores, sejam cidadãos de bem ou criminosos. Para finalizar – fiz um levantamento de 500 crimes nos últimos 2 meses no Brasil que constam no youtube e matérias de jornais digitais acerca de homicídios, latrocínios e guerra entre gangs para domínio do tráfico e cheguei a constatação de que 94% dos casos tem negros envolvidos! Então porque se ignora os crimes cometidos por negros? Por isso quem quer levar esse assunto da violência pela questão racial e não por outros aspectos que são preponderante para a violência que envolve todos vai vier na ilusão que existe um genocídio negro no Brasil!

      • Carlos Chagas

        “Segundo dados do IPEA de 2016, cerca de 80% das mortes de negros são, ao menos, influenciadas pelo fator “racismo”. Se isso é pesquisa porque não citasses onde está o endereço eletrônico da página do IPEA? Eu gostaria de ver qual foi o parâmetro que eles utilizaram para chegar a essa “influência”. Por que na realidade algumas estatísticas torturam os números até que eles confessem qualquer coisa!

  • Carlos Chagas

    Mais um pseudo-intelectual querendo deturpar a história assim como foi feito no filme CHE com Del Toro na qual não abordou nenhum pelotão de fuzilamento realizado pelo sádico e genocida argentino. Ao ser abordado por uma repórter esclarecida ele ficou feito um “zé mané” dizendo que não sabia de nada! Mesmo assim é esse farsante chamado Wagner Moura – o que eu quero saber é: Será que o filme vai abordar as ações do terrorista sanguinário Mariguella que em seu Manual do Guerrilheiro Urbano diz: “Deve-se fazer a exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia” e acusação de “violência” ou “terrorismo” sem demora tem um significado negativo. Ele adquiriu uma nova roupagem. Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra ditadura militar. Como a classe artística tem afinidade com bandidos e criminosos!

    Podem esperar um fracasso de bilheteria aqui no Brasil como foi o fracassado filme do maior bandido brasileiro – Lula Filho do Brasil – não é à toa que o pseudo-intelectual Wagner Moura está tentando exibi-lo logo fora do país. O jornal espanhol El País trouxe à época uma reportagem intitulada: “Lula fracassa na bilheteria”. No subtítulo, afirma o jornal: “O filme sobre a vida do presidente do Brasil, o mais caro da história do país, fracassa ao criar uma imagem edulcorada e pouco realista do ex-sindicalista” – mesmo assim é esse bando de alienados que tentam a todo custo deturpar a história – transformando bandido em heróis.

  • abner

    “Confiram recepção ovacionada do filme e de homenagem à Marielle no Festival de Berlim”…
    Quase morri de tanto ri, quando li esse texto antes do vídeo, uns três ou quatro gatos pingados aplaudindo e o cara escreve “recepção ovacionada”, faça-me o favor.

    • https://www.facebook.com/app_scoped_user_id/1168797003233033/ Airton Senna

      KKKKKK tbm ri demais nessa parte

  • Giovani Gusmão

    em breve vão lançar a biografia filme de Xuxa, no papel principal, Thaís Araujo !!!

  • Marcia Oliveira

    EITA POVINZIN NOJENTO!