Poltergeist

Quando a TV começou a dar medo...

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20 de abril de 2015

Após décadas maravilhando o mundo, atualmente o midas Steven Spielberg parece ter esgotado um pouco de ideias com quais antes revolucionava a história do cinema com cada filme. Engraçado que em sua prolífica década de 80, mesmo obras dirigidas por terceiros tinham sua assinatura de alguma forma, ou produção, ou roteiro ou mesmo cópia de seu estilo (não à toa que muitos consideram J.J.Abrams, o ressuscitador de Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas, o novo Spielberg). Mas talvez a película com mais cara de Spielberg que não tenha sido na teoria do próprio com certeza foi “Poltergeist” (“Poltergeist” – 1982, de Tobe Hooper)
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É até engraçado após tanto tempo lo ge de sua constante fábrica de sonhos que viéssemos, graças à Mostra Anos 80 de aniversário do Grupo Estação de Cinema, lembrar o quanto o mestre sabia lidar bem com terror, não apenas em seu cult máximo “Tubarão”. Em “Poltergeist”, roteirizado, produzido e praticamente montado por ele, porém dirigido por Tobe Hooper, ele mais uma vez dá vida a algo do cotidiano ignorado até prova o contrário, como no caso a televisão. Sempre usando uma premissa simples para falar sobre outra tema, e por debaixo deste sempre debater o núcleo familiar. Numa família desconjuntada, a caçula vê coisas na transmissão de estática que a TV de antigamente exibia quando a programação dos canais saía do ar de madrugada. E a tal atividade na TV nada mais é do que um Poltergeist, ou seja, espíritos presos que não sabem estar mortos e acumulam raiva ou ressentimentos em vida, impedindo-os de ver a luz.
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Numa mistura de kardecismo mais acertada do que nossos filmes nacionais de espiritismo, além de pitadas de “O Exorcista” e “Cemitério Maldito”, a família protagonista vai desvelando até mesmo para os tempos de hoje um comportamento politicamente incorreto que ainda parece atual e relevante. Por sob a trama principal de menina abduzida por fantasmas, há toda uma negligência familiar, pais que fumam maconha, e prioridades desfocadas, como só trabalhar à la capitalismo selvagem, não importa a quem doer, contanto que para privilegiar os seus, achando nao haver consequências.
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No fim, a elegância de Spielberg está toda lá, nao só no roteiro, mas na fotografia do bairro suburbano aparentemente perfeito, nos closes emocionantes à meia luz como nas personagens das duas senhoras exóticas do filme, a parapsicóloga e a paranormal anã, ou mesmo na sutileza dos ‘monstros’ que demoram a aparecer de propósito, e tanto encantam quanto aterrorizam, quase num show de luzes tipo “Contatos Imediatos De Terceiro Grau”. Talvez seu filme mais anticapitalista e anárquico, que assustou milhões de pessoas dos 80 até hoje a desligarem seus televisores antes de dormir…


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