Ponte Aérea

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26 de março de 2015

Dizem que fazer cinema no Brasil é muito difícil e complicado, mas não é o que parece para a jovem diretora Julia Rezende. Com apenas 28 anos ela tem em seu currículo, em um curto período de tempo, três longas metragens, algo considerado impossível para muitos cineastas brasileiros. Seu primeiro filme, a comédia “Meu Passado me Condena” de 2013 com Fábio Porchat e Miá Mello ultrapassou a marca de três milhões de espectadores. A continuação deste sucesso de público já está a caminho e deverá ser lançada ainda este ano. Nesse ínterim, o público brasileiro terá a chance de conferir, Ponte Aérea, um drama romântico estrelado por Caio Blat e Leticia Colin que conta a história de um casal que se conhece durante um vôo Rio-São Paulo.

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Segundo entrevistas, Julia diz ter se inspirado no livro Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que explica como funcionam os relacionamentos em um contexto social complexo, mas ao adaptar este conceito para as telas, Julia (que escreveu o roteiro) caiu na freqüente armadilha onde a mediocridade das idéias banaliza o processo criativo e artístico.

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O filme é o que é, ou seja, basta ler a sinopse para ter uma idéia do que irá assistir, pois a experiência da diretora não permite que ela vá além do óbvio e nem imprima uma linguagem cênica com alguma personalidade. É tudo muito bem feitinho, superficial e coalhado de estereótipos bairristas entre cariocas e paulistas (apesar da diretora insistir em fugir desta rixa). Sendo mulher e jovem, Julia não se isenta de retratar seu incomodo com o sexo oposto, apresentando todos os personagens masculinos como infantis, irreverentes e bons de cama, enquanto as mulheres são profissionais extremamente competentes, focadas no trabalho e possuem um comportamento adulto. Não há preocupação em construir um perfil mais elaborado nem para os personagens, nem para as toscas situações, pois é muito mais fácil basear-se em clichês que todo mundo conhece do que criar um subtexto original e criativo.

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Ponte Aérea em um típico caso de filme politicamente correto com uma estética de propaganda e bons atores. A narrativa é morna e linear e tenta desesperadamente transmitir alguma reflexão sobre uma geração que tem medo de assumir responsabilidades, mas o enfadonho texto e a estrutura monótona, não contribuem para que esta conclusão chegue ao espectador de maneira distinta. Julia não dá voz a sua câmera, pois é incapaz de criar uma premissa imagética ou elaborar uma ironia dramática sem se apoiar nos horríveis diálogos que explicam o enredo.

18.05.2014 - Filmagem ' PONTE AEREA ' , de Julia RezendeFoto: Aline Arruda

O jeito é esperar que a diretora estenda sua “malha aérea” e alcance trajetos mais ousados, ao invés de ficar servindo lanchinhos requentados em vôos que nunca decolam.

Ponte Aérea

Brasil, 2014. 100 min.

Direção: Julia Rezende

Com: Caio Blat, Leticia Colin, Emílio de Mello, Felipe Camargo, Silvio Guindane


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