Pop Aye

Ternura do passado

por

12 de outubro de 2017

Um filme que com certeza se recomenda altamente no Festival do Rio 2017 é “Pop Aye” de Kirsten Tan, filme coproduzido pela Cingapura e Tailândia, e ainda assim cheio de metáforas sobre a modernização desses dois países em detrimento de seu povo. Tudo com um forte senso crítico que não apenas passou pela forte censura de ambos através das metáforas de suas mazelas, como foi escolhido como candidato da Singapura para representar o país para o Oscar de filme estrangeiro.

Thaneth Warakulnukroh and Bong appear in Pop Aye by Kirsten Tan, an official selection of the World Cinema Dramatic Competition at the 2017 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute | photo by Chananun Chotrungroj.

Thaneth Warakulnukroh and Bong appear in Pop Aye by Kirsten Tan, an official selection of the World Cinema Dramatic Competition at the 2017 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute | photo by Chananun Chotrungroj.

Uma história cheia de afetos, candura e amargura usando de flashbacks para dinamizar a narrativa. Isto porque enquanto somos apresentados logo de cara ao protagonista e seu elefante sem explicações, as cenas que voltam para o passado mais imediato ou mais remoto vão nos situando nos sentimentos de cada personagem, ou mesmo trazendo alguns de volta ou levando outros embora. Pena somente que o recurso não seja usado até o final, pois torna a montagem realmente interessante, bem como constrói uma dialética crítica entre a modernidade e a tradição; o urbanismo tecnológico e o rural do interior; a solidão e as raízes.

Popaye

Para quem ficou curioso pelo título, é porque a história gira em torno de um arquiteto de sucesso que perdeu suas raízes ao longo do caminho, e, logo quando está para ser substituído na empresa pela nova geração e seu casamento está abalado, ele encontra um elefante que acredita ser seu animal de infância de quem se perdeu longos anos atrás. Numa aventura de beira de estrada, ele tentará levar o elefante de nome Pop Aye, em homenagem ao Popeye dos desenhos animados, de volta para sua terra natal. No percurso, irá se deparar com vários tipos estranhos que lhe ensinarão pequenas alegorias metafóricas de vida, como o mendigo que procura por sua noiva e gostaria de se transformar numa árvore; os policiais incompetentes; ou mesmo a travesti solidária, decerto a melhor personagem, especialmente com a linda montagem da cena do karaoke, que redimensiona a canção em dois sentimentos opostos dependendo do espaço temporal mostrado na edição… Um filme terno cuja ingenuidade de seus personagens pode não soar tão crível, mas definitivamente perpassam uma emoção verdadeira. Vale ressaltar que a cena final é de uma pungência de cortar a alma.

O filme ganhou melhor roteiro no Festival de Sundance e o Big Screen Award em Roterdã 2017.

Festival do Rio 2017 – Expectativa

Pop Aye (idem)

Cingapura / Tailândia, 2017. 102 min.

De Kirsten Tan

Com Penpak Sirikul, Bong (o elefante), Thaneth Warakulnukroh