Popload: Patti Smith em SP pela primeira vez

Artista consagrada já veio ao Brasil (2006), porém jamais tocou em São Paulo antes

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05 de novembro de 2019

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Após décadas de espera, graças ao Festival Popload, São Paulo receberá uma das maiores ícones do cenário underground nova iorquino dos anos 70. Patti Smith também é autora de livros como “Só Garotos” (Companhia das Letras), “Linha M” (Companhia das Letras) e os recém lançados “Devoção” e “O Ano do Macaco” (ambos da Companhia das Letras), mas foi na música que de início conseguiu adentrar ao mundo artístico.

Ela começou a carreira com os hits “Because the Night”, escrito em 1978 em parceria com Bruce Springsteen, “Gloria”, “Redondo Beach” e “Free Money” do primeiro álbum “Horses” de 1975, além da política visceral de “People Have the Power”, do disco “Dream of Life” de 1980, que também dá nome ao ótimo documentário de 2008 dirigido por Steven Sebring. Para quem se interessar, o filme conta com diversas imagens de arquivo de Patti nos anos 70, enquanto ainda morava no Hotel Chelsea com Robert Mapplethorpe, passando por imagens dela com os pais, até os anos 2000 quando voltou a fazer turnê ao lado de Bob Dylan.

Para os leitores de Patti, a poetisa, escritora, autora e cantora representa diversos aspectos que envolveram e fervilhavam o cenário punk rock americano dos anos 70. Apesar de ter vivido um período diferente do nosso, Patti consegue sintetizar os turbilhões de pensamentos que perpassavam os jovens que viviam à margem nos anos 70 americano em anedotas e brincadeiras de rima, desde em seus poemas breves (poucos) até seus intermináveis mandalas escritos, algo atual até hoje.

Em seu livro “Só Garotos”, ao começar a se dedicar à escrita musical, Patti fala em “poemas orais, como baladas, inspirados em contadores de histórias” (SMITH, 2010, pag. 148). E são exatamente poemas orais que envolvem toda a sua obra musical, em que coexistem canções repletas de lirismo e rebeldia sobre momentos perceptivos à sua vida, das complexidades em permanecer viva em uma país que vinha firmando seus primeiros sinais de violência gratuita contra negros, pobres, LGBTQ e o movimento hippie.

O despertar de tal necessidade em compor esses poemas orais, como belissimamente colocado pela própria artista, foi ao assistir Neil Young cantar “Ohio” em 5 de junho de 1970 no Filmore East, momento no qual Patti Smith sentiu na performance de Young e a letra em si o papel do artista cristalizar “como um comentarista responsável” (2010, pag. 149). Ao falar do papel do artista como comentarista responsável, Patti se refere à homenagem de Young aos estudantes da Kent State que foram mortos durante protestos contra as medidas do governo Nixon.

Patti Smith e banda chegam ao Brasil em momento propício e é inegável esperar um
grande show, com seus potentes “spoken word”, sempre pontuais, certeiros e convenientes.

Smith toca às 20h45 como headline no Festival Popload, no feriado de 15 de novembro no Memorial da América Latina.

Ingressos em: www.ticketload.com.