Popload: Patti Smith faz show histórico em SP para 14 mil pessoas

Xamânica, Patti Smith continua mais atual do que nunca e representa a libertação do povo através da sua arte

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17 de novembro de 2019

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Patti Smith lavou a alma daqueles que a assistiram no Memorial da América Latina no Festival Popload. Superando qualquer expectativa de um show histórico, Patti trouxe músicas clássicas e até a longa “Land”, de seu primeiro álbum, que surpreendeu os fãs mais atentos.

Iniciando com a política “People Have The Power”, já aquecendo com seu vocal potente e estridente, seguindo genialmente com o mantra “Ghost Dance”, que já arrancava coros afinados e choro de fãs que esperavam desde cedo na grade para o encontro com a lenda viva do punk americano.

Os fãs Deodoro Barbosa (27) e Vitória Crepaldi (23) que vieram de Minas Gerais apenas para os shows de Patti, aguardavam desde às 10 da manhã na grade. “Estamos o dia inteiro sem beber água e sem comer, mas vale o esforço pela Patti Smith”.

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Com um alcance misturado de faixa etária, Smith é atual e desencadeia com suas letras-poemas admiração de fãs jovens, até os que já acompanham sua carreira há mais tempo. As canções não envelhecem e se reatualizam devido o panorama atual mundial.

Patti demonstrou ontem toda sua energia e vivacidade em um show que não utiliza recursos pirotécnicos e confirma que é uma das mais importantes cantoras vivas, se valendo unicamente de sua voz rasgada e a ótima banda, com Lenny Kaye na guitarra ao lado de Patti desde os anos 70.

Outra grande surpresa foi a belíssima “Pissing In A River” e “Land” (Horses/Land of A Thousand Dance), uma canção poema que traz elementos da primeira viagem de ácido que Patti teve nos anos 70.

Era inevitável ouvir os murmurinhos pós-show de mulheres orgulhosas em terem visto uma Patti que mesmo aos 72 anos, cospe, arranca as cordas da guitarra, discursa politicamente e rege sua banda com total domínio e conhecimento de seu poder como boa poeta, multi-artista. Patti é xamânica e sabe disso. Ontem, com toda a sua simpatia e exotismo, ela deixou uma grande lição a ser seguida: a libertação do povo. E essa é sua grande filosofia poética, o seu chamado, foi dessa corrente que aos 19 anos Patti deixava sua família, seu lar em New Jersey, para encarar a intensa New York dos anos 60.