Pororoca

Maior revelação da Mostra

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29 de outubro de 2017

Agora, por falar em obra-prima, a Mostra revelou o surpreendente longa-metragem “Pororoca” do romeno Constantin Popescu, cujo único filme anterior a ter chegado no circuito comercial brasileiro foi “Contos da Era Dourada”, no qual o cineasta dirige um dos contos. Antes de adentrarmos o filme, vale menção para que o espectador não se atenha estritamente ao significado em português da palavra ‘pororoca’, que dá título ao filme, apesar de que possamos até interpretar neste sentido, pois o que aqui entendemos como um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas pode ser interpretado na história como um deságue de emoções.

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Isto porque o filme retrata uma família perfeita que vai se desestabilizar devido ao desaparecimento da filha mais nova do casal. Como cinema romeno, é surpreendente como se consegue construir uma narrativa com extremo naturalismo e linguagem direta, com vários planos-sequência munidos de câmera tremida na mão, e ainda assim mostrar uma variedade de movimentos de personagens e figurantes que ganham vida em todos os cantos do quadro, ampliando as interpretações e tensões das cenas.

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O filme ganhou o prêmio de melhor ator para Bogdan Dumitrache no Festival de San Sebastián, possivelmente a melhor atuação masculina do ano. Para quem não se recordar, o ator já havia brilhado nos cults romenos “Instinto Materno” e “Sieranevada”, agora alçando o trabalho no longa “Pororoca” como provável melhor artista romeno da atualidade, além de impulsionar a filmografia do diretor Constantin ao status de grandeza dos conterrâneos Cristi Puiu e Cristian Mungiu.