Premiação da 17° Mostra do Filme Livre 2018

Premiados são filmes que desafiaram linguagem e experimentações visuais

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15 de abril de 2018

Os filmes premiados na noite de encerramento no CCBB do Rio de Janeiro da 17° Mostra do Filme Livre foram:

Júri da ACCRJ:

Prêmio da Mostra Panorama Livre:

“Terça-feira de Nder” (“Talaatay Nder”) de Chantal Durpoix da BA

Agradecimento da diretora:

Menção honrosa:

“A Retirada para Um Coração Bruto” de Marco Antônio Pereira de MG

Júri das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema

Prêmio da Mostra Caminhos:

“CorpoStyleDanceMachine” de Ulisses Arthur da BA

Agradecimento do diretor:

Menção honrosa:

“A Paz Ainda Virá Nesta Vida” de Isabella Geoffroy e Nicolas Bezerra de RJ

E melhor Longa-metragem eleito pelo Cine Festivais em SP:

“Navios de Terra” de Simone Cortezão

JUSTIFICATIVAS:

Prêmio da 17° Mostra do Filme Livre eleito pelo Júri da ACCRJ, composto por mim, Filippo Pitanga, Gilberto F. Silva Jr. E Ricardo Cota, vai para:

Menção honrosa:

Pela ousadia na liberdade de linguagem ao retratar o delírio do real, bem como mostrar outras perspectivas para o Brasil regional, a ACCRJ gostaria de entregar a menção honrosa da seção Panoramas da 17ª Mostra do Filme Livre para “A Retirada Para Um Coração Bruto”, de Marco Antônio Pereira

Prêmio principal:

Por uma forte interlocução com o Brasil e que esclarece muito do nosso ecletismo religioso valorizando sobretudo a premente influência africana e a ancestralidade matriarcal, bem como pela riqueza de linguagem, o Prêmio ACCRJ para o melhor filme da seção Panoramas da 17ª Mostra do Filme Livre vai para “Talaatay Nder”  de Chantal Durpoix

O Júri Elviras – Colectivo de Mulheres Críticas de Cinema, composto por Julia Levy, Roni Filgueiras e Roberta Canuto, premiou o filme da Sessão Caminhos da 17ª Mostra do Filme Livre, pelo Júri formado pelas críticas do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema, decidiram contemplar “CorpoStyleDanceMachine”, de Ulisses Arthur, da Bahia, com o troféu FILMELIVRE! e o prêmio ACESSO.

Vale lembrar do critério de seleção que procurou identificar talentos ainda em formação tão bem representado por Ulisses Arthur, que fez de seu curta um tocante exercício de linguagem, que não tem medo da palavra, numa era em que a crise da palavra é uma marca. O diretor foi corajoso ao eleger um personagem periférico, que encarna a deriva e a força do devir de um homem trans na Bahia, em tempos passados de grande repressão, e que ecoa ainda hoje.

O júri destaca o alto nível técnico dos selecionados e decidiu conceder a menção honrosa para “A Paz Ainda Virá Nesta Vida”, de Isabella Geoffroy e Nícolas Bezerra, do Rio de Janeiro, que paradigmaticamente retrata o cenário do Complexo do Alemão a questão do terror de Estado. O curta denuncia de maneira contundente o regime de exceção, que historicamente se instalou nas favelas e periferias do país, e já executou sumariamente sobretudo vidas de jovens negros.

Vale ressaltar que o filme “Talaatay Nder” ainda foi seguido de uma homenagem que a compositora do filme, Dea Santtos, fez para a vereadora Marielle Franco, assassinada há um mês no Rio de Janeiro, com a leitura de um poema especialmente dedicado a ela: