Preto

Como reagir artisticamente diante da pluralidade cultural, política, étnica e racial?

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11 de janeiro de 2018

Atores em cena de "PRETO" no palco do Centro Cultural Banco do Brasil/RJ. Foto Nana Moraes.

Atores em cena de “PRETO” no palco do Centro Cultural Banco do Brasil/RJ. Foto Nana Moraes.

Novo projeto da companhia brasileira de teatro, PRETO chega, dia 11 de janeiro, ao Teatro 3 do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (de quarta a domingo, às 19h30, até 11 de março), depois de cumprir uma bem-sucedida temporada no SESC Campo Limpo, em São Paulo. Dirigida por Marcio Abreu, a peça mergulha na investigação e na reflexão em torno das diferenças. A dramaturgia é assinada por Marcio em parceria com Grace Passô e Nadja Naira.

PRETO nasceu como desdobramento da nossa peça anterior, PROJETO bRASIL (2015), também patrocinado pela Petrobras. Tanto uma quanto a outra não se constroem em cima de temas. PROJETO bRASIL não é uma peça sobre o país, assim como PRETO não é uma peça exatamente sobre racismo. É uma peça criada a partir de perspectivas de pensar a coexistência, a afirmação das diferenças”, explica Marcio Abreu. “É uma obra sobre ela mesma, que se articula com autonomia promovendo possibilidades de leitura, fazendo emergir um leque de assuntos e temas diversos. Diante do que transforma o mundo, eu respondo artisticamente”, diz o diretor.

A montagem se articula a partir da fala pública de uma mulher negra, uma espécie de conferência sobre questões que incluem racismo, a realidade do negro e da negra no Brasil hoje, o afeto e o diálogo, a maneira como lidamos com as diferenças e como cada um se vê numa sociedade marcada pela desigualdade. A peça é composta por uma séria de tentativas de diálogos encenadas por Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah (em sua terceira peça com a companhia) e Rodrigo Bolzan. O músico Felipe Storino executa a trilha sonora ao vivo.

A dramaturgia começou a ser montada em 2015, durante as diversas residências artísticas realizadas em cidades no Brasil e na Alemanha. Entre as referências básicas que alimentaram o processo de criação estão a obra de Joaquim Nabuco, intelectual e político abolicionista brasileiro que viveu no século XIX entre o Brasil e a Europa; o livro contemporâneo A Crítica da Razão Negra, do professor e cientista político camaronês Achille Mbembe, os escritos de Frantz Fanon, a literatura de Ana Maria Gonçalves e a da poeta e professora Leda Maria Martins, entre outros pensadores.

“Elaboramos a dramaturgia ao longo dos ensaios. É resultado de uma série de conversas e estudos sobre temas que rodeiam essa peça”, conta Grace Passô. “A gente ensaiava, abria os ensaios para o público acompanhar e conviver com a gente dentro da sala de ensaio e conversávamos com esse público tentando entender outras perspectivas daquilo que estava sendo criando ali”.

PRETO, além de promover essa investigação a respeito da rejeição das diferenças na sociedade – numa tentativa de expandir, pelo viés da arte, as percepções sobre o outro e sobre os espaços de convivência – ainda aprofunda a reflexão sobre a imagem social, repensando como a sociedade se comporta e dá poder a essa imagem. Questionamentos do tipo “como eu me vejo?” ou “como o outro me vê?” acompanham o espetáculo.

O mote é esse: como reagir artisticamente diante da pluralidade cultural, política, étnica e racial?

Serviço

Espetáculo: PRETO

Temporada: De 11 a 21 de janeiro | De 7 de fevereiro a 11 de março de 2018

A temporada terá um intervalo para turnê europeia do grupo.

PRETO fica em cartaz até 21 de janeiro e será retomada dia 7 de fevereiro, seguindo inclusive pelo Carnaval.

Dias e horários: De quarta a domingo, às 19h30.

Local: Teatro 3 | CCBB Rio (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro)

Informações: (21) 3808-2020

Capacidade: 72 lugares

Recomendação etária: 14 anos

Duração: 90 minutos

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

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