Primaveras Escuras

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06 de outubro de 2014

Na primavera, a estação favorita de muitas pessoas, o sol aparece, a temperatura é amena e as flores renascem. A primavera é ainda o período de busca de parceiros para acasalamento no mundo animal, e talvez também no mundo dos humanos. O que muitos não percebem é que a época mais colorida do ano é, na verdade, dicotômica: assim como carrega características tanto do inverno quanto do verão, carrega igualmente vida e morte. Ela reúne e separa os opostos, e é disso que trata “Primaveras Escuras”, novo longa de Ernesto Contreras.

Las Oscuras Primaveras

É inverno. Igor e Pina trabalham na mesma empresa – ele é um encanador casado e ela, uma mãe solteira que serve café. Desejam-se ardentemente desde o primeiro olhar, a ponto de a repressão deste desejo interferir em suas vidas de maneira excessiva e atrapalhar suas relações com a esposa e com o filho, respectivamente. Só com a chegada da primavera os dois conseguem tirar um pouco o peso dos ombros e aproveitar a paixão, mas não sem consequências.

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Repetindo a parceria que teve no filme “Pálpebras Azuis” com seu irmão roteirista Carlos Contreras e com a atriz Cecilia Suárez (que representa Flora, a esposa de Igor), Ernesto Contreras tece uma história sobre relações humanas e de que forma cada um lida com as próprias frustrações e como elas podem afetar um bom relacionamento. Em penetrantes 100 minutos de película, vemos um marido perder o interesse físico e sentimental pela esposa e uma mãe perder a paciência com seu filho, e também uma esposa e um filho insatisfeitos com tais fatos. As tentativas fracassadas de Igor e Pina de consumar a tentação faz com que se afastem cada vez mais das pessoas com quem possuem uma ligação afetiva. Mesmo depois de perceberem o que estavam fazendo e tentarem consertar (mais por peso na consciência que por amor), já era tarde demais: suas relações marido e mulher e mãe e filho já estavam demasiadamente desgastadas. É aquele velho ditado: quem bate esquece, mas quem apanha, não.

Las Oscuras Primaveras

Com ótimas interpretações de Hayden Meyenberg como o filho Lorenzo, de Cecilia Suárez como a esposa Flora e de José María Yazpik e Irene Azuela como o casal oprimido, o filme envolve o público do início ao fim com seu clima constante de tensão, inclusive sexual. A complexidade da trama, a construção das personagens com contradições e oscilações de ânimo e a atenção aos detalhes e olhares fazem de “Primaveras Escuras” uma obra preciosa do cinema mexicano. Os irmãos Contreras acertaram em cheio.

 

Festival do Rio 2014 – Mostra Foco México

Primaveras Escuras (Las Oscuras Primaveras)

México – 2014. 100 minutos.

Direção: Ernesto Contreras

Com: José María Yazpik, Cecilia Suárez, Irene Azuela, Hayden Meyenberg e Margarita Sanz.


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