Entrevista com diretor de Primaveras Escuras

O mexicano Ernesto Contreras debate com o público após sessão do filme. Veja como foi!

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06 de outubro de 2014

Na última terça-feira, dia 30 de setembro, o diretor mexicano Ernesto Contreras e seu irmão Carlos Contreras estiveram no cinema Estação Rio para conversar com o público após uma sessão de seu novo filme, intitulado Primaveras Escuras (Las Oscuras Primaveras, no original), que faz parte da Mostra Foco México do Festival do Rio 2014.

Junto com uma de suas produtoras, o bate-papo com Contreras se deu todo em espanhol, apesar da presença de uma tradutora. A produtora, que conheceu o diretor num festival em que ele lançava seu primeiro longa-metragem Pálpebras Azuis, afirmou estar muito contente em poder trabalhar com Contreras e que espera que haja parcerias futuras.

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Indagado sobre a escolha do elenco, composto em maior parte por atores conhecidos do México, Contreras esclareceu que foi um processo longo e cansativo. Depois de ter o elenco já pronto, o diretor falou que gosta muito de conversar com os atores, de compartilhar músicas e imagens com os mesmos, fazer improvisações e estar sempre junto com eles nos ensaios. “É sempre uma experiência muito intensa, muito gostosa e muito rica justamente quanto a essa construção de emoções, e como encontrá-las”, afirmou. Ressaltou, ainda, a importância do comprometimento dos atores com seus personagens e com o filme.

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Sobre o processo de criação de “Primaveras Escuras”, Contreras revelou que foram 2 anos para escrever o roteiro, 1 ano para conseguir financiamento, 6 semanas de filmagem e quase 1 ano de pós-produção. Suas inspirações para criar o filme foram o conflito entre moral e natureza e distintos assuntos, como amor, família, sexo e morte, além de sua impressão pessoal sobre a primavera, que todos consideram linda, mágica, com flores e pássaros, mas ele enxerga como uma estação forte e selvagem. Ele queria também apresentar personagens virtuosos que estivessem frustrados, asfixiados, sem saber como se liberar, e mostrar que há outras coisas além da relação de amor com a esposa e o filho, que há outras necessidades que eles não sabem como canalizar nem conseguem falar com ninguém sobre isso. Contreras declarou que as relações e as contradições do ser humano são seus temas favoritos.

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Como maiores influências para seu trabalho, Contreras cita o cinema asiático, europeu e, principalmente, latino. Sem dar maiores detalhes, ele disse que já está trabalhando num novo roteiro e que pretende começar a gravar seu novo filme no próximo ano.

Las Oscuras Primaveras

Primaveras Escuras foi rodado inteiramente no México, custou 3 milhões de dólares e será lançado em janeiro de 2015 em toda a República Mexicana (com foco para Cidade do México e Guadalajara) com em torno de 250 cópias. O longa foi exibido pela primeira vez no Brasil Festival do Rio 2014, mas ainda não tem previsão para estrear no circuito brasileiro de cinema.