Quando as Luzes Se Apagam

Terror é bom de susto, mas escorrega no roteiro

por

19 de agosto de 2016

Inspirado no curta “Lights Out” (2013), “Quando as Luzes Se Apagam” é o longa-metragem que marca a estreia em Hollywood do sueco David F. Sandberg, que foi escolhido pelo produtor do filme, James Wan (“Jogos Mortais”), para dirigir “Annabelle 2”. Na trama, o menino Martin (Gabriel Bateman) começa a enxergar a figura de uma mulher que só aparece no escuro e sua irmã Rebecca (Teresa Palmer), que teve a mesma experiência assustadora quando criança, se junta a ele para descobrir a verdade que há por trás dessas aparições e a ligação com sua mãe Sophie (Maria Bello).

LIGHTS OUT

Ao partir de uma premissa parecida com a do terror “O Espelho” – dois irmãos que se juntam para tentar dar fim a acontecimentos causados por uma figura assustadora – Sandberg utiliza os sons, a luz e a escuridão como principal elemento de tensão da película e abusa das cenas de susto para fazer o espectador pular da cadeira; chega a ser cansativo depois de algumas vezes. O jogo de luzes é quase como a brincadeira hide and seek (esconde-esconde, em português) do filme “O Amigo Oculto” e o elemento psiquiátrico é outro que os dois filmes têm em comum. Diana (Alicia Vela-Baile), a bizarra entidade que não gosta de luz, é uma personificação da depressão de Sophie, que assombrou dois casamentos e a vida de seus dois filhos. Uma mistura de mãe-espírito de “Mama” (2013) com Samara de “O Chamado” (2002), Diana foi inspirada na primeira para o seu visual monstruoso e assustador e na segunda, para justificar a sua presença na vida da família, o que ocorre de forma muito didática sem necessidade no roteiro de Eric Heisserer (“A Hora do Pesadelo”, “Premonição 5”).

LIGHTS OUT

Apesar da boa condução do clima de terror, as habilidades de Sandberg na direção de atores precisa ser bastante aprimorada, pois deixou a desejar. Gabriel Bateman, que vive Martin, é quem tem a pior atuação do elenco, que, por sua vez, fica no limite entre o fraco e o correto. Com uma trilha sonora nada criativa, “Quando as Luzes Se Apagam” é um terror que utiliza bem os clichês do gênero, mas que exagera na quantidade de sustos e possui alguns furos no enredo. Depois do grande sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, o longa já tem uma sequência planejada. Tomara que consigam criar uma história mais consistente e coerente.

Quando as Luzes Se Apagam

EUA – 2015. 81 minutos.

Direção: David F. Sandberg

Com: Teresa Palmer, Maria Bello, Alicia Vela-Baile, Gabriel Bateman, Billy Burke e Alexander DiPersia.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 2