Atrações Convidadas do 7o FENATIFS

Eu sem Você não sou Ninguém da Turma do Biribinha foi o grande destaque da Abertura do 7o FENATIFS

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21 de dezembro de 2014

O espetáculo de abertura do 7o FENATIFS “Eu sem Você não sou Ninguém” da Turma do Biribinha, é um poema para os amantes do circo, do teatro, e da infinitude que a arte abarca. Passando a limpo a vida de um dos maiores palhaços do Brasil, o palhaço Biribinha, o espetáculo constrói o fabuloso encontro entre o criador (o ator Teófanes Silveira) e a criatura (sua invenção, a personagem Biribinha- manipulado com delicadeza pela atriz Seliane Silva, sob orientação de Lily Curcio e Jorge Morosi- keke). O texto do espetáculo é de Alberto do Carmo e Ilma Nascimento. Cercado de poesia, de reviravoltas na trama, de muita sensibilidade e um final apoteótico, e verdadeiramente emocionante e surpreendente, a direção de João Lima teve grande sensibilidade em conduzir com primazia a linha interpretativa teatral do ator, enquanto personagem, artista e pessoa pública. “Eu sem Você não sou Ninguém” foi uma escolha perfeita para a abertura do 7o FENATIFS, que prestou uma bonita homenagem a um dos nomes mais importantes do FENATIFS em suas sete edições: o ator Teófanes Silveira, o palhaço Biribinha. O criador e a sua criatura.

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O palhaço Biribinha em cena do espetáculo Eu sem Você não sou Ninguém

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O criador e a criatura se confrontam cara a cara, e passam a limpo o seu convívio em décadas de vida em comum

Tendo como inspiração o belo texto O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado, “A História que a Manhã contou ao Tempo” da Cabriola Cia de Teatro de Salvador foi um dos grandes destaques entre as Atrações Convidadas da 7o FENATIFS. Uma outrora impossível história de amor entre um gato mal humorado e uma linda e amigável andorinha é o fio condutor desta poética história conduzida com lirismo, plasticidade – destaque para os belos figurinos simbólicos (Etiene Bouças) e para o uso de escadas, e  guarda-chuvas que marcam as estações do ano (Heraldo Souza) -, e contendo teatro de animação (Grupo Ereoatá e Cabriola Cia de Teatro), belas composições musicais (Heraldo Souza), e um jogo teatral repleto de partituras corporais, teatro físico e teatro narrtativo. A direção e adaptação feitas por Heraldo Souza, que divide também a cena com a atriz Etiene Bouças é de extrema delicadeza, precisão, seriedade; além de imprimir um belíssimo tom solene e melancólico à linda história. A encenação de “A História que a Manhã contou ao Tempo” é uma grata surpresa de um bom teatro realizado com muitos critérios, para a infância e juventude.

Toda a produção do espetáculo é muito caprichada e repleto de qualidades artísticas

Toda a produção do espetáculo é muito caprichada e repleto de qualidades artísticas

O espetáculo “Que Bicho Será  da Cia Navegante – Teatro de Marionetes de Minas Gerais, que contou as histórias dos cinco livros do escritor mineiro Ângelo Machado, tendo a frente um narrador (Chico Chapéu), apesar de apresentar um refinado trabalho de confecção de marionetes (títeres de fios), e muito boa manipulacão, onde foram usados materiais naturais: cabaças, sementes e palha; é um espetáculo muito pouco criativo teatralmente, previsível, infantilóide ao pedir a ajuda da plateia para participar falando textos, monocórido, e feitos em textos gravados, com as vozes dos animais soturnas e baixas. A direção realizou um espetáculo repetitivo, linear, sem ritmo e arrastado – devido a operação do áudio, em cena, pelo narrador da peça. Apenas o encantamento provocado pelos delicados bonecos, não é o suficiente para mascarar o amadorismo da montagem no conhecimento da estética teatral.

As belas marionetes inspirados no desenho do ilustrador do  Roger Mello

As belas marionetes inspirados no desenho do ilustrador do Roger Mello

O espetáculo “Meu Quintal” da Via Palco, apesar da boa intenção na escolha do enredo: resgatar brincadeiras de antigamente, com o uso de objetos, em um quintal,  pode ser mais considerado como uma recreação do que uma peça de teatral. Possui uma dramaturgia – Via Palco -, e interpretação de atores- Agamenon De Abreu (Lino),Nayara Homem (Bella), Fábio Neves (Dudu) e Ive Alencar (July) – bastante precária, usando de expedientes tatibitati e infantilóides, e destituído de qualquer teatralidade. Todas as ações são executadas com enorme naturalismo, como se fosse a vida vivida realmente em um quintal, sem apresentar nenhum recorte expressivo e de bons códigos teatrais. Sendo inclusive constrangedor o número final realizado pelo “auditório”, que é conduzido recreativamente pelos atores na última cena do espetáculo.


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