Rafiki (42° Mostra de SP)

Poético romance lésbico censurado no Quênia

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24 de outubro de 2018

“Rafiki” da diretora Wanuri Kahiu, filme que concorreu pela Queer Palm e na Mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes 2018 e agora pode ser encontrado na programação da 42° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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O resultado final poderia até ser apenas satisfatório, porque é um romance correto em formato e conteúdo, não obstante ter ganho inúmeros pontos em valor de produção por ser um romance lésbico feito no Quênia (onde a homossexualidade ainda é tratada como crime) e ter sido dirigido por uma cineasta que ainda teve de enfrentar a censura no próprio país, mesmo após ter competido em Cannes este ano….

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Porém, o que amplia a experiência, além de uma trilha sonora linda e jovial sem ser pueril, é o fato de sua incansável diretora Wanuri Kahiu ter se esmerado visualmente em experimentar com todo tipo de textura na tela: da iluminação natutal e também a artificial, criando belos contrastes entre luz solar e noturnas com neon, aos mínimos detalhes de arte e cenários, como as cordas dos varais multicoloridos cheios de roupas secando e pingando água com pregadores que reafirmam o tema cromático do filme.Porém, o que amplia a experiência, além de uma trilha sonora linda e jovial, sem ser pueril, é o fato de sua incansável diretora Wanuri Kahiu ter se esmerado visualmente em experimentar com todo tipo de textura na tela: da iluminação natutal e também a artificial, criando belos contrastes entre luz solar e noturnas com neon, aos mínimos detalhes de arte e cenários, como as cordas dos varais multicoloridos cheios de roupas secando e pingando água com pregadores que reafirmam o tema cromático do filme. Tudo em prol de ampliar as sensações e empatia com o casal principal e sua história de amor universal, com que todas as pessoas podem e deveriam poder se identificar, independente do seu credo, de sua nacionalidade, de sua sexualidade ou etc…

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Sem falar na forte homenagem a enquadramentos e conotações lúdicas no plano e fora de quadro típicas do mestre senegalês Djibril Diop Mambéty, e uma excelente escalação de elenco representado pelas duas protagonistas cheias de luz e encanto magnético: Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva — respectivamente tridimensionalizadas numa sociedade castrativa com camadas que vão de suas relações familiares, relações políticas com o meio (aludindo até à uma rixa entre suas famílias no estilo Capuletos e Montecchios de “Romeu e Julieta — o que não quer dizer que atraia a mesma sina que a do famoso casal Shakespeariano), relações religiosas e até aspirações profissionais transgressoras para a sua geração — primeira geração de muitas famílias da região onde se passa a história a entrar na faculdade com bolsas de estudo para galgar cargos antes impossíveis inclusive e principalmente para as mulheres.