‘Real – O Plano por Trás da História’

Dirigido por Rodrigo Bittencourt, longa estreou na última quinta-feira, dia 25.

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26 de maio de 2017

Há algumas semanas, sete cineastas retiraram seus filmes do Cine PE porque dois títulos, considerados por eles de direita, integravam a programação: “O Jardim das Aflições” (2017) e “Real – O Plano por Trás da História” (2017), que estreou na última quinta-feira, dia 25.

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Apesar de ser ideologicamente patrulhado, este longa-metragem dirigido por Rodrigo Bittencourt não tem a pretensão de debater política nem questionar o que quer que seja, pois seu foco é na trajetória de um homem constantemente lembrado por seu temperamento forte e arrogante, que ajudou a criar o Plano Real: Gustavo Franco (Emilio Orciollo Neto). Ou seja, mais do que uma produção que leva para as telas alguns pontos da criação da moeda que salvou o país há mais de 20 anos, “Real – O Plano por Trás da História” é sobre a relação de Franco com a moeda, que defende com a força de um pai.

É imprescindível destacar a atuação de Emilio Orciollo Neto, a melhor de sua carreira. É um trabalho de composição complexo que passeia entre a fragilidade do campo familiar e a tensão da vida profissional, cujo “poder de fogo” potencializado por frases de efeito que remetem imediatamente ao icônico Capitão Nascimento, defendido por Wagner Moura na franquia “Tropa de Elite” – mesmo considerando os cenários distintos.

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Baseado no livro “3.000 Dias no Bunker – Um Plano na Cabeça e um País na Mão”, de Guilherme Fiuza, o longa apresenta a trajetória do Plano Real e de Gustavo Franco através de flashbacks inseridos com precisão cirúrgica. É um trabalho minucioso da montagem de Lucas Gonzaga, agregando valor a esta obra cinematográfica. No entanto, para focar na vida de Franco, alguns fatos, elementos e personagens importantes para a criação do Plano Real não tiveram espaço suficiente na trama, prejudicando-a um pouquinho no que diz respeito à consistência histórica – neste ponto, é necessário lembrar que mesmo atual, a menção sobre a Operação Lava-Jato surge de maneira um tanto solta na sequência do depoimento de Franco na CPI do Banestado, pois ela não existia em 2003.

Com direção de Rodrigo Bittencourt, “Real – O Plano por Trás da História” é uma produção interessante, de narrativa ágil e que funciona bem dentro da proposta de apresentar a atmosfera de tensão nos bastidores da criação da moeda. Mas devido ao posicionamento forte de seu protagonista não agradará a todos, principalmente à fatia do público que já tem uma ideia pré-estabelecida de que este é um filme “coxinha” e, portanto, contrário à sua ideologia. E num país polarizado e sem diálogo, isto é mais do que o suficiente para colocar este longa no limbo sem nem ao menos dar-lhe uma chance.


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