Recordes de audiência e Paredão em chamas: Prior sai ou não?!

Fogo no parquinho e polêmicas à parte, há muito o que se analisar na estética metalinguística de confinamento

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31 de março de 2020

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Estão preparados para recordes de audiência hoje?! Hoje a Globo deve obter exatamente o que queria…ou mesmo superar suas mais loucas expectativas. Com uma pitada de quarentena metalinguística, outra pitada de ócio criativo dos espectadores e mais uma boa porção de participantes psicótico-obsessivos e temos talvez o Big Brother Brasil mais falado dos últimos tempos. Quem não via, passou a ver. Quem deixou de ver, voltou. Quase ninguém está indiferente ao programa. Cada qual na sua própria casa confinado pela pandemia mundial, sentindo-se livre pela doce ilusão de controle remoto da TV a partir de um programa de pessoas igualmente confinadas, porém a bel prazer da audiência.

Mas, gente, calma. Isso é apenas uma análise de BBB. E, ainda assim, sentimos que os recônditos de nossos piores arquétipos estão em julgamento no reflexo do espelho rachado. E uma das maiores distorções desses estilhaços fractais do espelho se chama Felipe Prior. E o pior, não é nem uma questão de tanta gente torcer para ele ganhar, e sim apenas continuar um pouco mais no programa, o que pode sair pela culatra e lhe dar uma falsa sensação de invencibilidade e de que irá ganhar o programa.

Muita gente só quer mantê-lo por 2 razões: ou porque acham que a casa vai ficar sem graça sem ele ou porque acham que o Babu vai ficar vulnerável sem ele. Mas é ele quem anda vulnerabilizando cada vez mais o Babu com as decisões erráticas e obsessivas. Ele só se queima cada vez mais. E num nível quase psicótico. Até a forma de ele falar está entrando num looping que pode fazer cada vez mais mal a ele (e aos outros ao redor).

Também não digo que estou torcendo pra Manu, e muito menos pra Mari (essa de tão esquecível conseguiu até ser esquecida na hora do voto pra sair…e vai ficando). Elas irão sair a seu tempo. O problema é que se Prior ficar agora, nada mais o tira dali e, de servir de “apoio pro Babu”, ou servir de diversão kamikase da casa, ele vai passar a ser o vencedor. E isso diria algo terrível como mensagem pro nosso Brasil, que está pegando fogo já por si só.

Ok, ok… Sei que muita gente se diverte com ele. E não estou querendo com isso julgar quem gosta dele… Quem sou eu pra julgar. Também fui responsável por mantê-lo no programa até agora. Quem está nos julgando somos nós mesmos através do nosso voto (que ironia do destino, logo um processo eleitoral de votação democrática está fundindo de novo a cabeça do brasileiro). Afinal: o que queremos?! Seguir nossa intuição ou simplesmente tacar fogo no parquinho?! Vocês me responderiam: “Ah, mas Filippo, isso é só um programa, e não o destino de um país”… É só uma “brincadeira! Pára de exagerar!”. Sim, pode até ser. Até o primeiro turno, também pensávamos que a possibilidade de eleição do Bolsonaro era só uma brincadeira de mau gosto…

Só peço que não atirem no mensageiro. precisemos julgar quem está fazendo a análise. Não quis dar rasteira em ninguém nem “pegar baixo”. Apenas fiz uma análise antropológica de que tipo de defesa ele está recebendo para além dos espectadores do jogo que conseguem enxergar o jogo. Pessoas de fora querem é o fogo no parquinho pelo fogo no parquinho e não pelo jogo….e o Brasil está literalmente pegando fogo😢😢😢

Não é um julgamento eleitoral. Não julguei nem eleitores nem os leitores aqui presentes. Meu pai votou no Bozo, e continuo tendo uma relação familiar com ele. Aliás, com muita gente.

A questão não é quem da casa votou em quem no mundo aqui fora… Até porque o Pyong era eleitor declarado do Bozo e defendia o velho da Havan e não foi esse meu embasamento quando votei para ele sair. Gostava do Pyong na casa. Mas o fato de o Eduardo Bolsonaro se identificar com o Prior, por exemplo, é bastante sintomático sim. É o inverso. Não é em quem o Prior votou, e sim, mesmo que sem querer, o tipo de mentalidade que ele possa estar representando. E será que é esse Brasil que queremos alimentar?! Ainda mais neste momento?!

Vocês querem fogo no parquinho?! Tirem o Prior! Flay vai virar uma bomba relógio e provavelmente vai ter uma síncope explosiva em cadeia nacional, tadinha. Tão manipulada quanto manipulável até agora. Babu vai se aliar à Thelma e Rafa (porque Rafa agora vai ficar cismada até virar no Jiraya e desmascarar a Giselly, Marcela e Ivy). Vocês não perdem por esperar. Se tirar a Manu, vocês vão enfraquecer Rafa e Thelma e aí sim que nem elas nem Babu vão nem ter chance contra o núcleo da ex-comunidade hippie.

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O curioso é que o recorde de votos esta semana no paredão do #BBB não é necessariamente polarizado por causa dos participantes na mira, e sim pelas múltiplas personalidades do Prior. Aqueles que querem vê-lo fora, os que querem mantê-lo por mais um pouco…e, quiçá, os que gostariam de vê-lo vencer (como Eduardo Bolsonaro). Só o fato de o filho do presidente mais irresponsável do mundo (segundo todos os principais veículos internacionais) estar torcendo pelo Prior já deveria ser motivo o suficiente para que meu voto jamais coincidisse com o deste ser ignomínio.

Boninho chegou a dizer que o recorde de votos está disputando pau a pau quem poderá sair… A Mari nem votada está sendo. A disputa está entre Manu e Prior. E não porque as pessoas queiram que Manu ganhe nem nada… É porque Manu acabou sendo aquela que ficou na extremidade oposta da lógica deste paredão. Os fãs de Prior procuram razões para detratar Manu, sendo que, na verdade, ela não tem significação suficiente para fazer oposição às polêmicas do Prior… Mas ela nem precisa! Prior é seu próprio inimigo. Prior é seu próprio extremo oposto. Ele começou a representar inúmeras personalidades e oposições de si mesmo. Existe o Prior que é parceiro/aliado de Babu, outro favorito de muitos. Porém até esta aliança está ruindo… Prior é muito errático e obsessivo. Ele é tão tenso e no limite que explode até sozinho consigo mesmo. Ele não pára de repetir as convicções com que fica fixado. E daí a gente lembra dos outros Prior… o grosseiro. O misógino que apoiou os piores machistas do programa no início da temporada. O kamikase que é divertido de se ver só até a página 2, porque, quando ele se auto explode, leva a todos junto com ele, inclusive o respeito próprio e a terceiros.

O curioso é que a Globo parece querer que ele continue no jogo… Até o filme escolhido para o horário nobre da Tela Quente de hoje é o “Doutor Estranho”, um filme sobre um “mago” da Marvel (e mago é o apelido do Prior). E por incrível que pareça as múltiplas realidades alternativas e dimensões paralelas do personagem descrevem muito bem o Prior. Ele é uma Hidra de Lerna, uma Quimera. E mantê-lo no jogo, na verdade, pode ser danoso até mesmo para o próprio Babu… Babu tem muito a crescer sem o peso dele ao seu lado…até porque Prior está prenunciando se voltar contra Babu…E, se deixarmos ele o suficiente para isso acontecer, iremos nos arrepender de esperar para confirmar o que já sabíamos.

Só um adendo: Alguém mais com todas essas reviravoltas de Prior anda me surpreendendo muito.

Quem diria que Flay ganharia tamanho protagonista no jogo… Eu não estou dizendo isso como sinônimo de agradabilidade… De forma alguma! Não é essa a questão. Diferente da Mari, que começou como planta e vai acabar como planta, com todo o respeito. “Planta” no #BBB quer dizer que não se posiciona muito nem representa muita coisa no jogo — o que às vezes é até um elogio. Ou às vezes quer dizer nada. E tudo bem querer dizer “nada” também. (Tipo a Gabi…mesmo que aquela thread no Twitter da @lilawasadiver tenha desconstruído de uma forma bem semiótica outras camadas de Gabi, mas que acho um pouco fantasiosas demais pra ser verdade).

Mas Flay… Devo confessar que Flay de certa forma me fascina um pouco. Repito: não é fascinar em termos de agradabilidade. Flay muitas vezes é o oposto, faz questão de ser desagradável, arredia, explosiva, tola e etc… Mas ao mesmo tempo, quem de nós pode atirar a primeira pedra? Quem de nós pensa que iria entrar no jogo de maneira tão planejada e calculada que não iria armar os mesmos circos e bafafás que ela? A verdade é que Flay representa muito a gente, um lado de nós mesmos que não costumamos mostrar publicamente, imagina, então, para as câmeras.

Flay nem tem vergonha de ser a vida como ela é. A comédia da vida privada… E por isso fico fascinado a observá-la. Até mesmo musicalmente fui atrás dos trabalhos das cantoras desta edição: Gabi, Manu e Flay, e, mesmo não sendo fã do gênero musical, Flay possui uma atitude na voz e uma forma de se lançar contra o penhasco que se traduz até em sua voz de canto, ou mesmo em suas danças na casa, sempre exageradas e over em relação às outras (sem freios). Por incrível que pareça, eu consigo respeitar Flay em suas maiores vergonhas, em sua hora de implodir e chorar e gritar… e até de se arrepender. Isso não quer dizer que concorde com ela. Muito pelo contrário, geralmente concordo ideologicamente com quem está do outro lado. Com Rafa…, com Thelma…, etc. Mas consigo entender o lugar de desmonte extremamente humano dela. O #BBB como programa precisa mais de participantes como ela do que de membros como Mari ou Gabi. Flay é quem de fato reflete o povo, reflete se algum de nossos reles mortais pudesse de fato ter a chance de nos representar ali. Alguém não preparado. Alguém sem estar na defensiva, para quem aquelas câmeras seriam exatamente o que são: uma ameaça contra a qual se jogar de corpo inteiro, sem rede de proteção.

Fiquei impressionado que DUAS pessoas da casa pedissem que logo a conflitante Flay servisse de advogada para eles: tanto Prior (que foi maquiavélico e calculista de pedir que alguém perdidamente apaixonada por ele falasse em sua defesa), quanto Mari (que depois ficou “p” da vida por a única palavra de defesa em seu nome que Flay pôde dizer foi: você é minha parceira. Algo que não diz nada em relação à pessoa defendida, e sim apenas sobre como você se sente em relação a ela). É isso. Flay é a mínima chance de errarmos e sermos humanos ali dentro. Longe de torcer por ela…, mas a observo sempre, pois me sinto eu mesmo dançando com a raba até o chão no lugar dela. Sem vergonha nenhuma.