Resident Evil 6: O Capítulo Final

O Fim. (ou não)

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01 de fevereiro de 2017

Em 1993, estreava Super Mario Bros, considerado por muitos como o primeiro filme baseado em um personagem de videogame. De lá para cá, tanto o cinema, quanto o videogame, estão bastante diferentes.

No videogame, possibilitados pela evolução tecnológica, as histórias dos jogos foram tornando-se gradualmente mais complexas. A experiência de imersão é cada vez maior e os personagens puderam se tornar mais profundos do que antes.

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Entretanto, por mais profundo que seja o histórico e o drama de um personagem no videogame, ele sempre tem quer ter algo de raso em sua personalidade. Algo em branco, nem que seja uma de suas facetas. Essa parte em branco deve ser preenchida pela personalidade do jogador. Talvez essa deficiência implícita nos jogos seja o principal desafio das adaptações de videogame para o cinema.

Ao mesmo tempo, vivemos no universo cinematográfico a era das adaptações e das continuações. Entendo que elas sempre existiram em sucessos ocasionais. Nessa última década, entretanto, notamos que muitos filmes – principalmente os do gênero ação – são escritos, planejados e produzidos para que hajam tantas continuações quanto possível.

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É nesse contexto que surge “Residente Evil 6: O Capítulo Final”, sexto filme da franquia, dirigido por Paul W.S. Anderson e estrelado por Milla Jovovich, novamente no papel de Alice. O filme mostra Alice sobrevivendo em um apocalipse zumbi, enquanto tenta encontrar uma forma de salvar o mundo e descobrir mais sobre seu passado.

É notável perceber que demoramos seis filmes para conseguirmos entender a complexa jornada de uma personagem tão rasa quanto a Alice de Milla. Se essa é a situação da protagonista, você pode imaginar a de todos os personagens secundários descartáveis e descartados pelo filme.

O primeiro ato de Resident Evil 6 procura flertar com o terror, por meio de um recurso banalizado pelo gênero: os jump scares, para causar sustos fáceis. No segundo ato, o filme se arrasta em sequências de ação previsíveis e com uma fotografia tão escura que, ainda mais escurecidos pelo 3D, não nos dá outra opção que não aguardar o terceiro ato.

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Nele, o filme abraça a faceta de uma ficção científica barata, com diversas reviravoltas, poucos questionamentos e cenas de ação bem coreografadas mas ainda com pouca criatividade. Nesse terceiro ato, tal qual em um videogame, sentimos que a história avança mas os personagens ainda não se aprofundam.

Desse modo, usando de recursos fáceis de terror, com cenas de ação belas mas ineficientes e com uma protagonista durona por fora, mas vazia por dentro, Residente Evil tem chances de agradar apenas aos fãs já previamente conquistados pela saga de Alice.

É um final melancólico para a adaptação de um jogo que fez história no universo dos games. Ao menos por enquanto, já que, como seus zumbis, a saga morre mas sempre pode voltar à vida.

Fim.

(ou não)

Resident Evil 6: O Capítulo Final  (Resident Evil: The Final Chapter )

EUA, 2017. 107 min.

De   Paul W.S. Anderson

Com Milla Jovovich, Ali Larter, Iain Glen

 

Avaliação Gabriel Gaspar

Nota 2