Rock in Rio 2017: balanço geral

Festival já tem uma edição carioca confirmada para 2019 e outra em Lisboa (Portugal) em 2018.

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27 de setembro de 2017

Na noite do último domingo, dia 24, o Rock in Rio 2017 chegou ao fim após sete dias intensos por causa dezenas de apresentações, sendo 28 somente no Palco Mundo, que encerrou suas atividades nesta edição com o Red Hot Chili Peppers, tal qual em 2001.

Queima de fogos na abertura do Palco Mundo (Foto: Divulgação / Crédito: Wesley Allen - I Hate Flash).

Queima de fogos na abertura do Palco Mundo (Foto: Divulgação / Crédito: Wesley Allen – I Hate Flash).

Liderado por Anthony Kiedis, o grupo californiano realizou um show repleto de canções novas, deixando muitos sucessos de fora do setlist, o que causou certa frustração em parte do público. O Red Hot Chili Peppers subiu ao palco após as apresentações de Capital Inicial, The Offspring e Thirty Seconds to Mars, banda cujo vocalista, Jared Leto, repetiu a façanha da edição de 2013 e desceu a tirolesa no meio do show. Contudo, o grande destaque da noite foi o The Offspring, que concedeu uma experiência eletrizante aos fãs num dia em que a Cidade do Rock estava tão cheia que a locomoção entre um ponto e outro era uma missão quase impossível.

Toxic Twins no Rock in Rio (Foto: Divulgação - Rock in Rio / Crédito: Fernando Schlaepfer – I Hate Flash).

Toxic Twins no Rock in Rio (Foto: Divulgação – Rock in Rio / Crédito: Fernando Schlaepfer – I Hate Flash).

Se o The Offspring ofuscou o headliner Red Hot Chili Peppers na última noite do evento, o mesmo não pode ser dito das anteriores, pois os headliners do Palco Mundo engoliram todas as outras atrações, sobretudo no que tange à resposta da plateia. Contudo, dentre eles os destaques foram Aerosmith, Guns N’ Roses e Maroon 5, que tocou por duas noites consecutivas devido ao cancelamento do show da Lady Gaga.

Obviamente, não dá para falar nesta edição do Rock in Rio sem dizer que ela entrou para a história do festival principalmente por ter sido responsável pelo primeiro show do The Who na cidade, concedendo à noite de sábado o título de épica por reunir dois gigantes no Palco Mundo, o The Who e o Guns N’ Roses.

The Who em show histórico no Palco Mundo (Foto: Divulgação - Crédito: Eugenio Laurenzano, Estácio).

The Who em show histórico no Palco Mundo (Foto: Divulgação – Crédito: Eugenio Laurenzano, Estácio).

Com diversos palcos espalhados pela Cidade do Rock, o festival reafirmou a importância do Sunset, responsável por grandes encontros musicais, como o de Alice Cooper, Arthur Brown e Joe Perry na quinta-feira, dia 21. Contudo, apesar do grande interesse pela música, o Rock in Rio 2017 ficou marcado pela mudança comportamental de uma fatia da plateia, que deixou a música em segundo plano para não somente curtir o espaço e tudo o que ele oferecia, mas, sobretudo, optou por passar a maior parte do tempo postando fotos e vídeos em redes sociais. Foi a edição da selfie e do live.

Alice Cooper recebeu Joe Perry, guitarrista do Aerosmith e seu parceiro no The Hollywood Vampires (Foto: Divulgação - Rock in Rio / Crédito: Fernando Schlaepfer – I Hate Flash).

Alice Cooper recebeu Joe Perry, guitarrista do Aerosmith e seu parceiro no The Hollywood Vampires (Foto: Divulgação – Rock in Rio / Crédito: Fernando Schlaepfer – I Hate Flash).

Espécie de Tivoli Park musical, a Cidade do Rock funcionou plenamente e com poucos problemas e filas, se comparada à antiga. Isto se deve à vasta área do Parque Olímpico, que possibilitou um número maior de banheiros e bares, inclusive da Gourmet Square, um dos sucessos desta edição.

Outro grande sucesso foi a Rock District, espaço criado para homenagear a música, os artistas e as bandas que passaram pelo Rock in Rio ao longo de 32 anos. Cada artista e banda recebeu uma estrela inspirada Calçada da Fama de Hollywood, com uma guitarra e os anos das edições que participaram. Com palco fixo, o Rock District caiu nas graças do público, tal qual a Game Xp e a Rock Street, criada na edição de 2011.

Sucesso absoluto junto ao público, o festival aconteceu num período conturbado para o país, principalmente para o Rio de Janeiro, assolado pela violência e crise econômica. Mesmo assim, a resposta positiva da plateia mostrou a força do evento que gerou cerca de 20 mil empregos diretos e recebeu 700 mil pessoas ao longo de sete dias de shows.

“O Rock in Rio é a certeza de que podemos e conseguimos resgatar a felicidade e a autoestima do brasileiro. Não vamos abrir mão da sua raiz e de onde demos vida a todos os nossos sonhos. Estamos aqui, vendo nestes sete dias, que é possível sim transformar vidas e trazer alegria para as pessoas”, garantiu Roberta Medina, que confirmou que o Rock in Rio já tem uma edição carioca confirmada para 2019 e outra em Lisboa (Portugal) em 2018.