Rock in Rio 2017: ‘Não tem nada a ver com o que qualquer um de nós viveu antes’, diz Roberta Medina

O festival será realizado nos dias 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de setembro.

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13 de setembro de 2017

Na tarde desta terça-feira, dia 12, Roberto Medina e sua filha, Roberta, receberam a imprensa para apresentar o Rock in Rio 2017 na Cidade do Rock, que fica no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O tradicional Preview foi realizado no mesmo dia em que o local passou pelo teste de um público composto não apenas por jornalistas, mas convidados, associados Rock in Rio Club e familiares dos funcionários que transformaram a nova Cidade do Rock em realidade.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, com Roberto e Roberta Medina no tradicional Preview do festival.

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, com Roberto e Roberta Medina no tradicional Preview do festival.

“Algumas pessoas têm me perguntando o que vai marcar essa nova edição do Rock in Rio. Eu estou convencida de que o que vai marcar essa nova edição do Rock in Rio é uma nova experiência. Não tem nada a ver com o que qualquer um de nós viveu antes”, disse Roberta Medina, vice-presidente do festival.

De fato, quem frequenta o evento há muitos anos e se lembra das Cidades do Rock anteriores sentirá o impacto desta nova, pois o local é realmente enorme e isto acabou modificando a disposição das atrações, como a Roda Gigante, que agora está posicionada de maneira a permitir que o público veja tanto o Palco Mundo quanto o Palco Sunset. As mudanças visam oferecer mais conforto ao público, por esta razão a Cidade do Rock tem mais lojas, bares e o dobro da quantidade de banheiros das edições anteriores, além de mais de 120 quilômetros de cabos debaixo da terra e 80 mil metros quadrados de grama sintética.

A Cidade do Rock abriu suas portas para imprensa e convidados, entre eles, associados Rock in Rio Club e familiares de funcionários.

A Cidade do Rock abriu suas portas para imprensa e convidados, entre eles, associados Rock in Rio Club e familiares de funcionários.

“É a maior Cidade do Rock jamais construída nesses 32 anos de história. São 300 mil metros quadrados. Para vocês terem uma ideia, só a área do público é maior que toda a Cidade do Rock antiga, ali no Parque dos Atletas. E é por isso que eu digo que a experiência vai ser completamente diferente”, contou Roberta, explicando que nesta sétima edição carioca o sonho de oferecer ao público uma experiência completa se realizou. “Esse ano a gente entrega o que sempre sonhou, um grande parque temático da música, onde as pessoas vêm para passar o dia e para cumprir aquele espírito, aquela motivação que faz a gente estar aqui hoje e que fez o Roberto (Medina) criar o Rock in Rio há 32 anos atrás. E a motivação era mostrar que pessoas de raças e credos diferentes poderiam estar em paz e harmonia num mesmo lugar”, disse a vice-presidente, que apresentou todas as atrações do Rock in Rio 2017.

Este espírito de harmonia sempre foi uma característica do festival, basta lembrarmos o slogan da terceira edição, realizada em 2001 na Cidade do Rock original, “Rock in Rio – Por Um Mundo Melhor”. “Eu tenho certeza que um mundo melhor é possível. E a Cidade do Rock é isso. A gente acredita num mundo melhor, a gente faz um mundo melhor e eu acho que a gente mostra, a gente que eu falo é a organização, essas 20 mil pessoas que estão trabalhando aqui para fazer o Rock in Rio acontecer e atender o público da melhor forma, os artistas e as 700 mil pessoas que vão passar por aqui vão mostrar mais uma vez que um mundo melhor é possível. Um mundo onde há respeito, infraestrutura, segurança, cuidado com os outros”, falou a empresária, ressaltando também que a organização pensou em inclusão e acessibilidade.

Um dos pontos mais charmosos da nova Cidade do Rock é a Rock Street, um espaço que tem se destacado mais a cada edição. Com dois lagos artificiais e tendo o continente africano como tema, a Rock Street objetiva oferecer mais do que apenas entretenimento e um pouco da cultura africana num palco mais intimista, mas aproximar o público e homenagear a origem de tantos gêneros musicais. “A Rock Street África tem uma mensagem importante para passar: toda música que a gente ouve na Cidade do Rock, do samba ao rock, do pop ao blues, tudo tem a influência da música africana. E tem o elefante. A gente tem um elefante cenográfico de três metros de altura e seis metros de largura que vai estar interagindo com o público, brincando, porque essa é a proposta da Rock Street: que o público se sinta parte do show e não distante”, contou Roberta, destacando também que o elefante é o xodó de seu pai nesta edição.

O Palco Mundo já está pronto para a maratona de 28 shows ao longo de sete dias.

O Palco Mundo já está pronto para a maratona de 28 shows ao longo de sete dias.

E por falar em Roberto Medina, o idealizador do Rock in Rio subiu ao palco montado na Arena Carioca 1, que receberá a Game XP, uma parceria do evento com a Comic Con, esbanjando simpatia e a mesma alegria de sua filha. Apaixonado pelo Rio, o presidente do festival disse à imprensa que o seu compromisso não é somente com a Cidade do Rock, mas com a cidade do Rio de Janeiro.

“O que está acontecendo aqui no Rio é prova da exuberância do empresariado que sobrou no Rio de Janeiro. Essa cidade… Outro dia, eu estava pensando em Nova Iorque. Eu adoro, é um ícone de cidade no mundo. Nova Iorque é rabiscada, é suja, os mendigos estão na rua e não deixa de ser. Nós estamos com uma sensação de ‘vira-lata’ muito maior do que o que está acontecendo aqui no Rio de Janeiro”, afirmou Roberto Medina. “O Rio é exuberante, tem e pode dar certo. A mídia tem que ser mais generosa com o Rio de Janeiro porque notícia boa tem sempre. A gente vai virar esse jogo. A gente está virando esse jogo. E o meu compromisso maior hoje é levar esse legado para fora porque não dá para a gente viver feliz se a cidade não estiver feliz. É muito duro você ver uma cidade que é capaz de produzir uma olimpíada, um Rock in Rio, um carnaval, que é o maior evento do mundo, e a gente estar triste, acanhado, sofrendo… não é possível ser assim. Nós podemos e vamos dar a volta por cima. A gente tem que parar de se lamentar pelos cantos e dizer que quer ir embora do Rio de Janeiro. A gente tem que ficar no Rio de Janeiro. Esse é o nosso lugar”, afirmou o presidente do festival.

Roberto Medina também comparou o atual momento de crise com o da primeira edição do Rock in Rio, realizada em janeiro de 1985, quando Tancredo Neves foi eleito presidente e a ditadura militar chegou ao fim. “O Rock in Rio não aconteceu num momento brilhante da economia. Ele aconteceu depois que a ditadura saiu, depois de 25 anos, e era meio que um grito de mostrar a cara da juventude, que a gente era diferente do que tinha vivido durante 25 anos. E a gente mostrou e deu uma lição para o mundo”, contou Roberto, lembrando as dificuldades enfrentadas à época, inclusive em termos de credibilidade.

O discurso de Roberto Medina foi endossado pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que participou do Preview da Cidade do Rock e recebeu da família Medina uma guitarra, que equivale à chave da cidade. Olha, o Roberto disse aqui sobre esse sentimento que precisa estar na alma do povo carioca. Infelizmente, nós somos desalentados todos os dias com um noticiário que não é, garanto a vocês, o retrato exato da nossa cidade. E mais. Nós estamos melhorando. Mas essas boas notícias não saem. A criminalidade está baixando, o emprego está voltando. Os investimentos em saúde e educação, mesmo nessa crise, estão sendo maiores que os do ano passado. Nós estamos fazendo mais exames, mais consultas, mais cirurgias. O Rio de Janeiro é muito maior que a crise e eu tenho certeza, Roberto, que quando essa juventude linda se reunir aqui nessa cidade e puder ser contagiada por esse esforço, por essa criatividade, por essa inteligência, pelo talento de tantos músicos e artistas… Isso tudo, Roberto, pela sua capacidade de amar essa cidade e lutar pelo seu sonho, o Rio de Janeiro vai ser muito melhor”, disse Crivella.

O Rock in Rio 2017 começa nesta sexta-feira, dia 15, e a melhor maneira de chegar à Cidade do Rock é utilizando o transporte público – metrô, BRT e ônibus Primeira Classe. É importante ressaltar que a Avenida Abelardo Bueno ficará interditada nos dias de shows das 11h às 5h. Já a Avenida Salvador Allende ficará interditada entre 23h e 5h, porém não é uma opção para pedestres porque o único acesso para a Cidade do Rock é pela Abelardo Bueno, mas pelo lado do Parque Aquático Maria Lenk.