7o FENATIFS – Mostra Interior do Nordeste

O espetáculo As Roupas do Rei se sobressai no meio de produções primárias e com problemas de execução

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14 de dezembro de 2014

“As Roupas do Rei” do Centro de Criação Galpão das Artes de Limoeiro/Pernambuco foi um dos espetáculos mais interessantes que se apresentou na Mostra Interior do Nordeste do 7o FENATIFS devido a boa energia na execução cênica apresentada. Com texto de Cláudia Vasconcelos e direção de Luiz Navarro, “As Roupas do Rei” conta a história de um menino que ao observar uma mulher estendendo roupas num varal – roupas estranhas, coloridas, exóticas, de um outro tempo, aguça a sua  curiosidade, e ao mesmo tempo o instiga a começar uma conversa, que o faz descobrir que tudo aquilo pertence a um Rei, um Rei nada convencional que gosta de comer pastel e andar de skate. A direção, investe em uma proposta que mescla atores, músicos e vários tipos de animação para contar esta história que tem como premissa principal mostrar que todas as crianças ao se sentirem especiais, podem se considerar um Rei também. Investindo na ideia de que todos temos vontades semelhantes, direitos iguais, e que na essência, todos os seres humanos se parecem, em sua sofisticação e simplicidade. Que todos nós podemos ter todas estas coisas, independentemente de sermos pobres ou ricos. Afinal de contas qual é a diferença entre a riqueza de um Rei, e a riqueza de criatividade e fantasia de um menino plebeu? Apesar de toda a boa execução e criação do espetáculo, a concepção cênica peca um pouco pelo excesso de expressões artísticas investigadas, em tão pouco espaço geográfico de encenação: 4 músicos – muitos instrumentos -, 3 atores, figurinos e cenários muito coloridos, dois palcos onde vemos a manipulação de bonecos – parte superior -, e em outro palco inferior a encenação de atores. Desta maneira, valeria a pena que o Centro de Criação investisse mais em momentos intercalados de respiro, e de ação.

O colorido vibrante do elenco de As Roupas do Rei de Limoeiro/PE

O colorido vibrante do elenco de As Roupas do Rei de Limoeiro/PE

Já o espetáculo “Era uma vez…o Menino, o Velho e o Burro” da Ereotá Teatro de Bonecos, de Lauro Freitas/BA, conta esta conhecida fábula sem um verdadeiro entendimento do que ela pode representar para o homem, e para o segmento teatral para a infância e juventude. Apresentando a exploração do homem aos animais, inclusive com requintes de crueldade, no momento em que eles amarram o burrinho vivo, em um pau-de-arara. Todas estas ações já fazem com que esta fábula devesse ser jogada no lixo, ou em último caso pudesse servir para mostrar e potencializar o grande desrespeito que o homem tem com os seres animais. Entretanto o grupo parece não entender o que isso significa, e resolveu ressaltar na encenação apenas a necessidade de se ouvir ou não ao que os outros dizem. Algo muito simplista diante de um assunto tão importante e pertinente. Desta maneira, é muito importante que este grupo faça uma revisão de seus valores quanto artistas, quanto grupo, e quanto seres humanos sensíveis. O teatro tem o dever de estar à frente em assuntos tão polêmicos e importantes para a humanidade, como os maus tratos aos animais e a ignorância dos homens.

A deprimente e cruel cena, da Ereotá Teatro de Bonecos, em que o pobre burro é conduzido vivo, em um pau-de-arara

A deprimente e cruel cena, da Ereotá Teatro de Bonecos, em que o pobre burro é conduzido vivo, em um pau-de-arara

Para finalizar, o espetáculo “O Aniversário da Princesa Papelotes” de Maria Mazzetti, realizado pela Cia Nós Por Exemplo, de Feira de Santana/BA, apresenta um trabalho muito primário e muito mal acabado de bonecos. A direção de José Arcano, quebra todas as regras de manipulação de bonecos, onde os atores manipuladores manuseiam os bonecos, na história do texto datado e bem maniqueísta de Mazzetti, de qualquer maneira, sem buscar algum conceito de como animar estes bonecos: com que mão segurar os mesmos? Com que mão segurar os objetos? Quê desenho de cena eles têm? Quê características eles apresentam? Qual figurino é apropriado para eles? Qual cenografia é ideal para o teatro de bonecos? Entre muitas outras perguntas bem básicas de nosso teatro de títeres. É muito importante que a Cia possa buscar um aprofundamento e aperfeiçoamento na área de animação profissional, e também no intercâmbio com importantes peças nacionais que se apresentam no FENATIFS, e que ministram também oficinas.

Os bonecos de O Aniversário da Princesa Papelotes, em cena no 7o FENATIFS

Os bonecos de O Aniversário da Princesa Papelotes, em cena no 7o FENATIFS


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