Rua Cloverfield, 10

Saudável ensaio sobre a paranóia

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10 de abril de 2016

J.J. Abrams pode ser considerado o novo Midas de Hollywood já que cada projeto que tem seu toque transforma-se em uma mina de ouro. Responsável pela revitalização da série “Star Trek” e pelo estrondoso sucesso de “Star Wars – O despertar da Força” de 2015, Abrams conseguiu alcançar uma invejável posição na indústria do entretenimento hollywoodiano.  Mas o cineasta parece não se deslumbrar com orçamentos astronômicos, já que sua produtora, a Bad Robot adora abraçar propostas independentes de baixos orçamentos, como foi o caso de “Cloverfield Monstro” de 2008, filme que surpreendeu a platéia pela forma despretensiosa e inusitada com que lidava com uma ameaça mundial.

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Oito anos depois, Abrams retorna a mesma premissa de forma incomum. “Rua Cloverfield, 10” (10,Cloverfield Lane no original) pode (ou não) ser uma continuação do filme de 2008, mas isso é o que menos importa.

O filme é um saudável ensaio sobre a paranóia e um divertido jogo sobre dúvidas e certezas onde ninguém sabe onde está a verdade.

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Somos apresentados a Michelle (Mary Elizabeth Winstead) com pouca informação, apenas que ela está fugindo de um relacionamento falido deixando para trás, seu marido Ben. Mas após um grave acidente na estrada a moça parece ser deslocada para outra realidade nada confortável. Aparentemente ela é prisioneira junto com Emmet (John Gallagher Jr.), em um bunker que pertence a Howard (o excelente John Goodman), um ameaçador ex combatente de guerra que acredita que seres alienígenas dominaram a Terra com uma hecatombe química.  Apesar das aparências, a teoria conspiradora de Howard oscila entre loucura e realidade, mas pouco importa se é verdade ou não. Michelle, assim como o público, cai de pára-quedas em uma trama claustrofóbica e agonizante onde o clima de desconfiança se mantém na potência máxima.

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O novato diretor Dan Trachtenberg apresenta um talento nato para prender a atenção da platéia utilizando as mesmas ferramentas de Hitchcock em “Psicose”, ou seja, ele mantém o interesse do espectador sem ultrapassar os limites da expectativa explorando o jogo cênico dentro de um espaço apertado. Pena que os minutos finais abandonem a ambigüidade de todo o argumento, mas a diversão está garantida. O mago Abrams conseguiu transformar uma “pseudo-sequência” em uma nova, distinta e fascinante saga. Mais uma vez, palmas para ele.

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Rua Cloverfield, 10 (10,Cloverfield Lane)

Eua, 2016. 103 min.

Direção: Dan Trachtenberg

Com: John Goodman, Mary Elizabeth Winstead, John Gallagher Jr.


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