Ruth & Alex

Novos ares politizados no romance da terceira idade

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05 de outubro de 2015

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Pequenos filmes independentes, especialmente envolvendo atores de grande porte, mas que andam um pouco subaproveitados, em orçamentos de pequeno porte são muito comuns. A maioria gera resultados genéricos. Como é bom ver que este “Ruth & Alex”, ou “5 Flights Up” no original, consegue ficar acima da média, e render um bom aproveitamento para os merecedores Diane Keaton e Morgan Freeman, pela primeira vez na carreira interpretando um casal. Não à toa, por serem um casal inter-racial, ora idoso, recordam como sofreram preconceito, ainda mais agora que estão tentando vender seu imóvel e a notícia sobre um possível árabe percorrendo Nova York para realizar um novo atentado terrorista à la 11 de setembro está criando especulação depreciativa nos valores imobiliários. Uma notícia sem certezas, apenas especulações étnico-raciais sobre a origem do suspeito faz uma cidade inteira temer e o mercado financeiro balançar. É, os tempos mudaram…

Com uma ambientação aconchegante, sem necessidade de arroubos, o argumento original consegue carregar bem a história, e dar espaço principalmente para Freeman fazer o que sabe melhor: esbanjar experiência e maturidade cênica para fazer até Diane Keaton que hoje em dia anda no piloto automático crescer em cena, mais fragilizada e menos ‘neurótica’ do que de costume, como também crescer a participação da eterna ‘Sex and the City’ Carrie Preston. E ao menos duas sequências já fazem valer o filme, que são as visitas de compradores em potencial ao lar do casal, e a visita destes na casa de outros para comprar um novo apartamento. Essa estranheza alheia e desconforto da invasão de privacidade por todos os tipos, mesmo povoado de clichês e arquétipos, obtém uma sensação veraz que só quem já teve de exibir sua própria casa ou visitar muito a dos outros sabe exatamente como se sente. Entretanto, vários percalços diminuem um pouco o filme, como a péssima escolha por uma narração em off talvez escorados em espremer todo o potencial artístico de Freeman, inclusive seu inconfundível timbre, timbre de voz, aqui totalmente dispensável. Bem como as cenas de flashbacks com o casal jovem, ambos interpretados por jovens inexpressivos que empalidecem à sombra dos gigantes que os interpretam mais velhos. Sem falar no final reducionista que tenta explicar tudo, de maneira açucarada e previsível, quando até aí havia ido bem. Mas vale uma conferida em meio a tantos filmes mais pesados do Festival, este valendo como um fôlego de ar fresco nos intervalos.

Festival do Rio 2015 – Panorama do Cinema Mundial

Ruth & Alex (5 Flghts Up)

EUA, 2015. 92 min.

De Richard Loncraine

Com: Morgan Freeman, Diane Keaton, Carrie Preston


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