Salto No Vazio

Um assalto poético a dançar no mundo das imagens

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05 de novembro de 2017

Cannes, NY, Berlim… com o corpo sendo escola do movimento onde o inalcançável torna-se possível de ser tocado. E com a fragilidade poética do corpo trabalha-se a sabedoria de uma história afetiva, marcada pelas guerras declaradas, vividas ou não. Ainda ontem a destruição necessária do Muro de Berlim. Hoje correndo pelo museu do Holocausto. Não entendo de dança, nem pretendo ser um teórico. Apenas observo as múltiplas essência da relação de Patricia Niedermeier como atriz/diretora, com o fotografo/produtor Cavi Borges nos infindáveis labirintos de UM SALTO NO VAZIO. 

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Mais que uma soma de vídeos/danças, um ensaio delicado de buscas afetivas. Patricia dirige e dança o seu assalto poético no mundo das imagens. O corpo, o movimento, a dor e a linguagem poética do encontro. Encontrar o outro na sua solidão verbalizada por cartas de uma guerra. São muitas as guerras, muitas são as cartas de um amor que não acontecem. O não-sentido humano de uma guerra rouba a sexualidade não-vivida, mas imaginada. Foi ontem em Hiroshima? Não. É hoje no mundo careta, religioso e retrógrado. Ela se movimenta dançando por diversos espaços comuns, ou não. De um quarto de hotel em Cannes, ao que restou do Muro de Berlim. E se o gozo de uma carta são discursos políticos vivos, o gozo da dança sendo filmada, é sim a crueza poética vivida na sua intensidade máxima. 

A experiência imagem/dança são sim aprendizagens poéticas duras de eixos norteadores do vazio humano de guerras e Golpes de Estado em que vive hoje empobrecida a humanidade. E o que parece apenas improvisação, é um salto na história. E o que está em jogo na arte contemporânea é sim uma necessidade imediata da volta ao humano. Daí a dança/imagem como múltiplos círculos de formação de conteúdos. Ou seja, é um filme experimentalíssimo que parte da dança para um desafio da imaginação: que guerra é essa? Como não tem resposta pois não é possível; foram todas!

Ora, a dança no filme SALTO NO VAZIO, são discursos de linguagem em expansão infinita, e que só acaba numa espécie de corpo coberto de gozos. Como diria Barthes: “um gozo que sabe o que quer”. Ainda assim, o processo de construção das ideias pareceu ser longo. E precisamos compreender, o aprender novamente o movimento e o olhar! E saber improvisar a dança/afeto, é tão importante como transformar a ação seja lá qual for, em poesia. Poesia de aprendizagem do corpo como voz. Da voz/corpo como trajetória da linguagem do encontro da imagem com a teatralidade dos gestos não-previsíveis. Um pequeno filme onde o espaço/tempo é sim afeto. encontros e história.