Sananab

Palhaço Bisgoio arrebata a todos em espetáculo exemplar

por

19 de outubro de 2015

Uma das maiores surpresas do 8o FENATIFS foi a apresentação da peça “Sananab” da Cia Pé de Chinelo de Ribeirão Preto/SP. Tendo como protagonista o Palhaço Bisgoio (nome sugerido por sua filha a partir da declinação do nome lambisgóia), somos transportados a um mundo de teatro-contato, recheado de números deliciosamente poéticos, mágicos, cheios de duplos sentidos, e inpoliticamente corretos. Todavia, a qualidade da atuação do palhaço de Rubens Donegá Neto, que é dividida por tempos precisos, capacidade técnica, verdade, contraceno, respiração; faz de sua performance um momento único e especial. O enredo do espetáculo retrata o universo do palhaço Bisgoio, um ser ingênuo, estúpido e humano à flor da pele, que constrói situações através da manipulação de objetos. Bisgoio constrói e descontrói tudo ao seu redor, revelando a sua essência e um jogo de relacionamento humano.

Sananab_01

O palhaço Bisgoio mostra ótima flexibilidade em cena de “Sananab”

Sananab 2

O espetáculo é dotado de número de equilíbrio, realizado com muita precisaão

Realizado no Teatro do Centro de Cultura Amélio Amorim, o maior teatro de Feira de Santana, o espetáculo que possui apenas um carrinho – construído por materiais garimpados, e comprados, em ferros-velhos -, se agigantou e colocou toda a plateia em seu “bolso”, em seu palco e em seu carrinho. Poucas vezes vi um palhaço tão carismático, preciso, e com um domínio técnico refinadíssimo como o de Bisgoio. Todas as suas ações e gestos, foram carregados de muita verdade e relação sincera com a plateia. Números que poderiam causar algum certo desconforto – ou constrangimento -, por serem realizados por artistas menos aparelhados, com Bisgoio sentimo-nos bastante seguros no seus jogos propostos. Como elo de ligação mais forte temos as bananas do título (Sananab, bananas escritas ao contrário), que fazem muito bem a ponte entre ser um objeto, a comida, a cultura brasileira, a cor viva, e a forma fálica. Números de plateia, de palco – com espectadores da plateia -, além de um aplaudidissímo número em que ele tira das mãos de uma espectadora o seu telefone celular – usado indevidamente no meio da peça -, e o guarda dentro de seu carrinho cenográfico. Este número já valeu por todo o espetáculo e lavou a nossa alma! Que vontade de fazer o mesmo, sempre! Tudo no espetáculo funciona com harmonia, e unidade, em todos os setores técnicos: figurino, luz, som, adereços e preparação corporal. Cada objeto utilizado na peça tem uma função especial, além de serem criadas novas figuras em cena, a partir de bexigas de ar. A cada número vivemos uma nova surpresa, que nos enche de encantamento e graça.

“Sananab” mostrou à Feira de Santana qual é o verdadeiro valor de um palhaço, quando exerce com excelência o seu ofício, e qual é o verdadeiro valor de um artista em cena. Fazendo valer com primazia a importante frase de Jerzy Grotowski sobre o ato teatral pleno: “para se fazer teatro é preciso apenas de um ator e de uma pessoa na plateia”. 


Warning: Invalid argument supplied for foreach() in /home/almanaquevirtual/www/wp-content/themes/almanaque/single.php on line 52