São Paulo em Hi-Fi

Conto de fadas ao avesso que resgata um passado de glórias e muita alegria

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23 de julho de 2016

Exibido no festival Mix Brasil em 2013, o documentário “São Paulo em Hi-Fi” entra finalmente em circuito comercial. O diretor Lufe Steffen faz uma radiografia sobre as lendárias boates paulistas das décadas de 60/70/80 (como a Medieval, HS, Corintho, Nostromondo, dentre outras) e a influência que estes lugares tiveram no comportamento coletivo de toda uma geração.

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Contando com poucas imagens de arquivo (que não é o forte do filme), Steffen se apóia nos comentários de freqüentadores, trabalhadores de bares e empresários pioneiros (como Elisa Mascaro), que ajudam a recriar um universo único de uma época turbulenta.  Os testemunhos ajudam a compreender, por exemplo, como foi a complexa convivência da libertinagem homossexual com a ditadura militar no auge do arbitrarismo. O público também vai perceber como a luta pelos direitos LGBTS no Brasil é muito mais antiga do que possa parecer, infelizmente interrompida pelo funesto aparecimento da Aids, apelidado na época de “câncer gay”.

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“São Paulo em Hi-Fi” tem qualidades que superam o tema abordado. Além de ser um impressionante painel sobre o comportamento social de uma geração, o filme capta com extrema fidelidade, como a vida era celebrada na noite gay paulistana. As lembranças remetem a muito sexo, performances audaciosas, glamour e um grande sentimento de liberdade que fizeram esta época ser um conto de fadas ao avesso. O saudosismo e a melancolia estampados nos rostos de alguns entrevistados são reais e assinalam o final de uma época de ouro.

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Este é um documentário essencial para quem quer entender um pouco da história brasileira, independente de sua opção sexual, pois resgata com impressionante originalidade, o que foi um passado repleto de glórias e alegria para uma comunidade que hoje vive assustada sob o austero manto da homofobia.

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São Paulo em Hi-Fi

Brasil, 2013. 100 min.

Direção: Lufe Steffen

Com: Elisa Mascaro, Kaká di Polly, Miss Biá, João Silvério Trevisan, Celso Cury

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 4