Sereia – Lago dos Mortos

Sereia russa tem parentesco distante com Jason e Samara e espalha tédio na platéia.

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30 de janeiro de 2019

O jovem diretor russo Svyatoslav Podgaevskiy (com apenas 35 anos) tem em seu currículo dois filmes que já entraram em circuito brasileiro (A Dama do Espelho, 2015 e A Noiva de 2017), ambos sem muita repercussão.

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Em “Sereia – A Ilha dos Mortos” (Rusalka: Ozero myortvykh no original) há uma interessante premissa sobre a maldição de uma mulher traída, afogada em um lago pelos moradores locais, transformando-se em uma sereia malvada.

Simpatizante de histórias macabras, o diretor faz claras referências aos filmes da série “Sexta Feira 13” e “O Chamado” e o rapaz parece não fazer muita questão de esconder isso. A sereia mora em um lago tenebroso, se arrasta pelos cantos e mata todos que não realizam suas vontades. Qualquer semelhança com Crystal Lake, Jason e Samara é pura falta de imaginação na criação de novos elementos lendários.

Podgaevskiy desperdiça o rico folclore eslavo, afastando-se do terreno mitológico sem aproveitar a dinâmica sexual das sereias, adaptando a história para uma trama empobrecida repleta de clichês nada empolgantes sem nenhuma identidade com as lendas russas (a opção pela péssima dublagem em inglês deixa tudo muito mais artificial). A trama se constrói basicamente com cansativos jump scares e uma cascata de conclusões absurdas e falsas, tudo emoldurado por efeitos toscos e risíveis.

Podgaevskiy tenta à todo custo emplacar como um expoente do novo cinema de horror russo, mas sua sereia fake não consegue ir além do óbvio. O jeito é aguardar a sua versão da lenda de Baba Yaga para 2019.

Sereia – Lago dos Mortos (Rusalka: Ozero myortvykh)

Rússia, 2018. 90min.

Direção: Svyatoslav Podgaevskiy

Com: Viktoriya Agalakova, Efim Petrunin, Sofia Shidlovskaya