‘Sete Homens e Um Destino’

Remake do clássico homônimo de 1960, longa é uma das estreias da próxima quinta-feira, dia 22.

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21 de setembro de 2016

O western, faroeste aqui no Brasil, foi um dos gêneros mais populares do cinema clássico hollywoodiano por refletir nas telas o conservadorismo da sociedade americana, apresentando uma estrutura narrativa simples e bem sucedida, baseada no “bem versus mal” retratado nas figuras dos mocinhos e dos bandidos, mesmo que os mocinhos em questão não fossem ideais de perfeição em termos de caráter e conduta; mas, invariavelmente, os bandidos eram vilões estereotipados, como índios, por exemplo, conforme podemos observar em um dos maiores clássicos deste gênero: “Rastros de Ódio” (The Searchers – 1956), de John Ford, lançado numa época em que indústria e sociedade viviam o dilema entre o conservadorismo e a rebeldia.

Luke Grimes, Haley Bennett e Denzel Washington em cena.

Luke Grimes, Haley Bennett e Denzel Washington em cena.

E foi em meio a este dilema que Hollywood produziu sua versão para “Os Sete Samurais” (Shichinin no samurai – 1954), de Akira Kurosawa: “Sete Homens e Um Destino” (The Magnificent Seven – 1960), dirigido por John Sturges e protagonizado por Yul Brynner e Charles Bronson. Indicado ao Oscar de melhor trilha sonora, composta por Elmer Bernstein, o longa ganhou duas continuações, “A Volta dos Sete Homens” (Return of the Seven – 1966) e “A Fúria dos Sete Homens” (The Magnificent Seven Ride! – 1972), e, apesar de não ser o mais popular dos faroestes, acaba de ganhar um remake que surpreende por ser uma exceção nesta safra desastrosa de refilmagens, reboots e continuações.

Uma das estreias desta quinta-feira, dia 22, “Sete Homens e Um Destino” (The Magnificent Seven – 2016) é ambientado em 1879 e mostra a população de Rose Creek aterrorizada pelo magnata Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), homem inescrupuloso e ganancioso que vê no local uma oportunidade de aumentar sua fortuna através de sua mineradora. Após ordenar um massacre e incendiar a igreja da cidade, Bogue acaba por despertar o desejo de vingança de uma jovem viúva, Emma Cullen (Haley Bennett), que oferece o pouco dinheiro que tem a Sam Chisolm (Denzel Washington) para salvar Rose Creek. Pistoleiro, sub-tenente e oficial de justiça, Sam reúne mais seis homens nesta jornada que vai além de um contrato ou ajuda.

Sob a impecável direção de Antoine Fuqua e com um roteiro redondinho e bem estruturado, assinado por Richard Wenk e Nic Pizzolatto, este longa tem como um de seus maiores trunfos o fato de respeitar a essência dos faroestes produzidos no período clássico, porém com um diferencial: a utilização de doses exatas de humor como artifício para aproximar a plateia atual, que não tem como hábito o consumo de filmes deste gênero. E parte deste alívio cômico em meio a tanta violência vem do personagem de Chris Pratt, bastante à vontade como o anti-herói Josh Faraday, neste que é seu segundo trabalho com Vincent D’Onofrio (Jack Horne) – o primeiro foi “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” (Jurassic World – 2016).

Os sete homens que decidem se arriscar pela população de Rose Creek.

Os sete homens que decidem se arriscar pela população de Rose Creek.

Na verdade, Pratt não é o único ator a demonstrar conforto em cena, pois todo o elenco oferece ótimos desempenhos, deixando nítido ao espectador seu total entrosamento. Contudo, os grandes destaques são Washington e Ethan Hawke (Goodnight Robicheaux), que já trabalharam com Fuqua em “Dia de Treinamento” (Training Day – 2001). Enquanto Washington se destaca como um caubói clássico, o anti-herói sério e destemido, Hawke equilibra fragilidade e insanidade com precisão.

Com uma trilha sonora que funciona a favor da produção, agregando valor a ela, e, por vezes, nos remetendo à de “Os Filhos de Katie Elder” (The Sons of Katie Elder – 1965), também composta por Bernstein, “Sete Homens e Um Destino” agrada ainda por suas cenas de ação ágeis e coreografadas com esmero, direção de arte, maquiagem, figurino e montagem.

Com uma fotografia eficiente, mas que não explora com tanta riqueza e grandiosidade seus cenários e locações, ao contrário do que acontece em muitos faroestes clássicos, “Sete Homens e Um Destino” faz jus ao longa que o originou por ser um resgate competente de um gênero há muito subestimado.


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