Shirkers – O Filme Roubado (Netflix)

Investigação fascinante e irreverente

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05 de janeiro de 2019

“Shirkers – O Filme Roubado” é um documentário de 2018 dirigido por Sandi Tan numa coprodução entre EUA/Singapura, e está coerentemente disponível na #Netflix. #52FilmsbyWomen

Um filme sobre um filme… Porém uma nova obra, com identidade e personalidade própria. Na verdade, um filme sobre um filme roubado. O original, de 1992, com o título homônimo de “Shirkers”, cuja a própria palavra quer dizer sumir, faltar, foi o trabalho de ficção que começou esta jornada toda na Singapura. 26 anos depois, Sandi Tan realiza este documentário com o mesmo título e um subtítulo em seu lançamento Internacional na #Netflix, “Shirkers – O Filme Roubado”, numa investigação sobre como se deu o desaparecimento do original e os desenlaces das esdrúxulas personalidade envolvidas. — Principalmente o misterioso e estranho sujeito americano que serviu de professor da equipe e membro do projeto na Singapura, mas que ao mesmo tempo criou uma relação bizarra com todos e, de repente, sumiu.

Em parte, o enorme fascínio que o personagem do professor desaparecido (Georges) exerce e as respostas que levam a ele são tão excêntricas que já valeriam um documentário inteiro apenas sobre o sujeito. Todavia, isto não resume esta obra, senão seria permitir que mais uma vez o responsável pelo sumiço do “Shirkers” original invisibilizasse o novo, e a todos os envolvidos que foram ligados num vínculo transcendental desde 1992. Uma amizade tão forte que sobreviveu a todas as brigas e diferenças geradas pelo mistério que perdurou por 26 anos dolorosamente arrastado como correntes que não permitiam a superação.

E é digno de nota que num mercado já tão pouco convidativo às mulheres, como em se tratando das principais funções criativas do cinema, onde até muito pouco tempo ainda não havia se alcançado a nova onda feminista e suas vitórias por representatividade, praticamente todas as cabeças criativas e executivas responsáveis por ambos os projetos, tanto o de 1992 quanto este de 2018 sejam mulheres. Mulheres unidas e amigas até hoje. Mulheres que alcançaram sucesso em seus respectivos nichos de trabalho com o cinema. E que agora retomam o que um dia um homem quase as impediu… Teria sido por inveja?! Por medo de suas pupilas o superarem? Muitas destas perguntas são levantadas e vistas sob a ótica de vários ângulos num quebra-cabeça humano além do tempo e espaço.

As peças estão postas, e a personalidade das autoras do filme de ficção original e do documentário é única e autoral por si só, emprestando ao novo documentário um gosto peculiar por colagens que influenciam até a montagem da obra — gerando um belo resultado ímpar. Sem falar no tom noir especialmente com a trilha sonora que faz com que o gênero investigativo não caia nem na paródia nem no formalismo jornalístico… Um filme que se conjuga com todos os anseios atuais por mais autonomia e representatividade atrás das câmeras também.

O filme ganhou melhor direção em documentário no Festival de Sundance 2018.

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