Sobre Amigos, Amor e Vinho

Tal pai, tal vinho

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21 de agosto de 2015

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Meu pai já sofreu a quarta trombose. Sim. O pai deste crítico. É a vida. Já a história do filme “Sobre Amigos, Amor e Vinho” (“Barbecue” no original, de Eric Lavaine) começa justamente quando um pai de família (o carismático Lambert Wilsom, de “Homens e Deuses” e “Matrix Reloaded”), que mantém saúde impecável e bons amigos por mais de quarenta anos, de repente sofre um infarto e precisa rever como levou sua vida até então. O que lhe faltou em excessos e prazeres, sobrou em mágoas e ressentimentos nunca expressados, dos quais nem ele se dava conta. Seja como pai, marido e mesmo amigo. Nem sempre falar aquilo que as pessoas desejam ouvir é sinônimo do que elas precisam ouvir, e isto pode fazer mal a si mesmo, ocasionando infartos….ou mesmo tromboses.

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Com locações estonteantes, do tipo que faz marketing turístico quase gratuito aos nossos olhos, parece um tema a descambar para o drama, porém não tem esta pretensão, e sim a de entreter e fazer rir. O protagonista infartado decide tirar férias com esposa e amigos, e aos poucos vai soltando alfinetadas e ironias de tudo o que sempre conteve. Desde o amigo endividado que eles ajudam a sustentar, ao casal recém-divorciado que pendura o ciúme mútuo no grupo, ao amigo abobalhado com quem são condescendentes, mas não necessariamente prestativos. Ou seja, o desenvolvimento na segunda terça parte do filme consegue aprofundar um bom bocado a história e elenco, ainda que de maneira ligeiramente machista enfoque mais os homens do que as mulheres; sendo que a única personagem feminina priorizada é porque age como se fosse um dos homens.

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O calcanhar de Aquiles é não se manter na mesma linha de análise descompromissada tipicamente francesa, tentando a todo momento virar o volante pra voltar a ser declaradamente uma comédia. O que gera uma terça parte final não só terrivelmente previsível e clichê como contraditória aos desenvolvimentos anteriores. Para resolver cada questão de todos os personagens, ainda precisa correr com a narrativa a culminar num forçado clímax coletivo, mesmo que abreviando alguns personagens e esvaziando outros, apenas para caber tudo numa mesma mesa de jantar que parece se desenrolar por umas cinco horas para caber tudo o que acontece em segundos (tipo: um personagem faz o pedido, deixa a mesa, pega o carro, fica esperando o fim do plantão da outra pessoa para ainda voltarem juntos antes que o prato principal fosse servido). Pena que este leve e divertido filme francês siga lições rasas de comédias americanas e não mantenha o curso prometido, não deixando de ser um entretenimento belo aos olhos e que algumas amizades com mais de trinta anos de duração vão poder se identificar. Inclusive meu pai…

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