Souvenir

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09 de março de 2017

Isabelle Huppert foi uma das atrizes maior destaque do ano de 2016 – brilhou com performances viscerais nos dramas “O Que Está Por Vir” e “Elle”, que lhe rendeu um Globo de Ouro de Melhor Atriz e uma indicação ao Oscar. Neste contexto, o romance “Souvenir”, dirigido por Bavo Defurne, entra para coroar de vez Huppert como a grande atriz do ano passado. Com uma personagem completamente diferente das duas anteriores, Huppert mantém sua presença forte em cena e domina a telona ao viver Liliane Cheverny, uma cantora que já teve seus dias de glória por ficar em segundo lugar num famoso concurso de novos talentos da Europa (o mesmo do longa israelense “Cupcakes – Música e Fantasia”), em 1974. Depois de anos esquecida pelo público, Liliane trabalha anônima numa fábrica de patê, onde conhece e se apaixona por Jean (Kevin Azaïs), um aspirante a boxeador de 21 anos, que a faz sonhar com um retorno aos palcos.

Com roteiro de Defurne, Jacques Boon e Yves Verbraeken, o longa é praticamente um conto de fadas moderno, em que um jovem príncipe pobre e uma princesa que já passou dos 50 anos, desesperançada com a vida, se apaixonam e passam a trabalhar juntos. Jean torna-se empresário de Laura (nome artístico de Liliane), que se empolga com a retomada da carreira como jamais poderia imaginar que pudesse acontecer antes. O Jean de Azaïs lembra muito o seu personagem no filme “Amor à Primeira Briga” (2014): apaixonado, gentil, animado, esperançoso e com uma timidez que conquista. Já a Liliane de Huppert é uma protagonista oposta à que interpretou em “A Professora de Piano” (2001), de Michael Haneke, e sua relação com Jean é bastante harmoniosa pela abertura ao amor e às novas experiências que ambos possuem, mesmo com a – ainda, mesmo que não devesse em pleno 2017 – polêmica diferença de idade.

A predominância da cor vermelha na personagem Liliane denota que a sua paixão pela vida estava adormecida, apenas esperando algo ou alguém que a trouxesse de volta, além de evocar a estrela que já foi a fictícia cantora Laura com a música que também dá nome à película. Toda a trilha sonora traduz o momento que Liliane está vivendo: assim como Souvenir’ é a lembrança do sucesso de outrora, ‘Joli garçon’, a nova música-chiclete composta para o concurso, é a descrição de seu relacionamento com Jean. A escolha de Huppert se arriscar como cantora sem auto-tune ou dublagem é bastante corajosa, pois sua voz não é das melhores, mas traz maior autenticidade às cenas.

Ainda que não seja memorável, “Souvenir” é um filme leve e simpático, daqueles que você se sente bem quando sai da sala de cinema. É uma trama simples e bonita que se apoia nas concepções de nunca é tarde para amar e viver um sonho, e a que a vida pode te surpreender, mas não tire demais os pés do chão. Impossível não sair com a música-chiclete na cabeça.

Souvenir (Idem)

França – 2016. 90 minutos.

Direção: Bavo Defurne

Com: Isabelle Huppert, Kevin Azaïs e Johan Leysen.


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