Star Wars – Os Últimos Jedi

Exemplar com maior linguagem de Cinema de toda a franquia

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21 de dezembro de 2017

“Vermelho Lynch” – algumas considerações sobre “Star Wars – Os Últimos Jedi”, sem spoiler.

Imagem da "sala vermelha" da série "Twin Peaks" de onde o novo "Star Wars" tirou parte de sua inspiração em David Lynch

Imagem da “sala vermelha” da série “Twin Peaks” de onde o novo “Star Wars” tirou parte de sua inspiração em David Lynch

Que surpresa foi esperar ansiosamente por este mais novo exemplar de saga tão consagrada e solidificada e encontrar tantos riscos empreendidos na direção de tudo o que é novo, e ao mesmo tempo referencial à linguagem do Cinema como arte maior, há de exemplo inúmeras homenagens inusitadas e bem-vidas ao mestre da vanguarda moderna americana: David Lynch. Inclusive a famosa sala vermelha da aclamada série “Twin Peaks”. — Que, junto com sua cor marcante, evidentemente vem acompanhada do estofo-referência filosófico de Lynch, que cabe como uma luva na além-moral que a série Star Wars precisava mergulhar para falar das bordas que unem o bem e o mal no equilíbrio universal.

Há de exemplo lynchiano também as cenas oníricas no mundo dos sonhos/pesadelos, especialmente com Rey e o espelho (ou melhor, Kylo Ren, seu espelho invertido). Crédito para certo distanciamento de J.J. Abrams, que desta vez assinou apenas a produção e abriu mão da direção para alguém mais autoral como Rian Johnson, evidente, o qual já deixara sua marca, por exemplo, em alguns dos melhores episódios da antológica série “Breaking Bad” (como “Ozymandias” e “A Mosca”). — aliás, mesma sacada da trilogia original, quando o pai da franquia George Lucas abriu mão de sua visão mais pop para deixar a direção a cargo de Irvin Kershner e fazer o melhor episódio da saga até então: “O Império Contra-Ataca”.  

"Sala Vermelha" versão "Star Wars"

“Sala Vermelha” versão “Star Wars”

Até mesmo parte do elenco pareceu referenciar o mestre Lynch: da aparição de Justin Theroux à diva Laura Dern, que, por sinal, possui uma das melhores reviravoltas, além de reforçar o quanto Star Wars assumiu a questão de gênero, cheio de mulheres em posição de poder e autoridade militar e política… Além de sua cena clímax fazer o melhor uso de silêncio no espaço-sideral de toda a série, respondendo a uma das maiores licenças poéticas da história dos filmes de naves espaciais que sempre acrescentaram “som” no vácuo.

elenco da série "Twin Peaks" dominado pelo tom de vermelho-Lynch em comparação à disposição do elenco de Star Wars logo abaixo:

elenco da série “Twin Peaks” dominado pelo tom de vermelho-Lynch em comparação à disposição do elenco de Star Wars logo abaixo:

Elenco do novo Star Wars em comparação à disposição do elenco da série "Twin Peaks" dominado pelo tom de vermelho-Lynch

Elenco do novo Star Wars em comparação à disposição do elenco da série “Twin Peaks” dominado pelo tom de vermelho-Lynch

Filme cheio de referências de muito respeito. E, a essa altura do campeonato, conseguiram acrescentar novas personagens (especialmente femininas), ainda por cima protagonistas centrais e/ou com altos cargos políticos e militares, e o melhor de tudo: que dão certo! (há de exemplo a ótima construção de ‘Rose’ pela atriz Kelly Marie Tran). E os fãs saudosos da saudosa atriz Carrie Fisher, que faleceu antes de completar toda sua participação na saga como a eterna personagem Princesa/General Leia Organa, vão ficar agradavelmente surpresos com os caminhos escolhidos para conduzir inúmeras homenagens através do filme, misturando vida real e imaginário cinematográfico para eternizá-la.

Por incrível que pareça o Episódio VIII fecha um círculo muito bem fechadinho. Parece até que nem precisa do episódio IX. Do tipo: vão ter de recriar mil arcos narrativos pra caber um final apropriado para a saga como um todo. Mas decerto a saga teve muito a ganhar com a concepção moral enriquecida ao conceito original da Força e do lado negro da Força de que jamais se falou sobre contrapôr o bem contra o mal, e sim sobre necessitar haver um equilíbrio entre o bem e o mal, ou seja, nem a Força pode inteiramente pender para o lado do Bem da Balança, nem o lado Negro da Força seria seu oposto. Ou seja, estamos falando sim sobre a Força ser sinônimo de equilíbrio, e fechar os olhos para o potencial ao “mal” que há em todos nós é tão perigoso quanto se julgar apenas pelo “Bem”, e se entregar ao lado Negro da Força seria se entregar ao desequilíbrio, seja para qual lado da balança este equilíbrio pender… Grande reflexão…Grande filme.

  • Tito Faria

    Eu assisti ontem….
    Achei ousado. .muito bom…cenas fantásticas de tirar o fôlego!!