Stefan Zweig – Adeus, Europa

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15 de abril de 2017

Stefan Zweig foi um famoso escritor judeu austríaco anti-hitlerista, um dos mais lidos de língua alemã de seu tempo, que precisou se exilar com sua esposa Lotte Altmann no período da Segunda Guerra Mundial. Seus anos de exílio a partir de 1936, em Buenos Aires, até 1942, quando suicidou-se com Lotte em Petrópolis, são mostrados em cinco episódios de sua vida no longa-metragem “Stefan Zweig – Adeus, Europa”, dirigido pela atriz e cineasta Maria Schrader.

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O filme começa em 1936, com um jantar no Jockey Club do Rio em homenagem a Zweig (Josef Hader), na ocasião lançando o livro “Brasil, país do futuro” nas terras tupiniquins, antes de seguir para Buenos Aires, onde deu uma entrevista coletiva durante a convenção de escritores, no PEN Club. Depois o roteiro escrito por Schrader e Jan Schomburg pula para 1941, em uma visita guiada ao escritor e à mulher Lotte (Aenne Schwarz) a uma plantação de cana de açúcar, seguida de uma atrapalhada recepção do prefeito da pequena cidade da Bahia, antes do casal viajar para Nova York, onde Zweig reencontra a primeira mulher Friderike von Winsternit (Barbara Sukowa, de “Hannah Arendt – Ideias Que Chocaram o Mundo”). É nas cenas com Friderike que o espectador percebe um Zweig bastante frustrado e deprimido pela situação que está vivendo desde sua expatriação chegar ao limite. Apesar de ter se apaixonado pelo Brasil, pela natureza, pelo povo e sua hospitalidade, aqui não era seu país e ele estava cansado de tantas fugas e viagens, além de não conseguir parar de pensar no que se passava na Europa enquanto ele estava a salvo do horror nazista. Junte-se a isso a pressão de alguns compatriotas para que ele ajudasse outros a fugir dos horrores da guerra, o sentimento de culpa por não poder fazê-lo e a acusação de seu livro ter sido encomendado pelo Governo Vargas. A sua luta interior chegaria ao fim em seu último destino – e também do filme –, a cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, quando ingeriu barbitúricos em dose fatal com sua esposa Lotte em 1942.

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Com estrutura novelesca de filme televisivo, “Stefan Zweig – Adeus, Europa” não pretende contar a história de vida de Stefan Zweig, mas sim retratar todo o seu sofrimento numa época conturbada da história mundial em que precisou se exilar na América. Mais do que apresentar um escritor famoso, Schrader quer apresentar o homem por trás do artista, humanizá-lo. Como ocorre em muitos outros longas, a intenção é boa, mas o resultado deixa a desejar. O ritmo bastante arrastado, aliado ao excesso de diálogos dramáticos, torna o filme cansativo e entediante, mesmo com a excepcional atuação de Josef Hader, que consegue transmitir todos os sentimentos, princípios e questões do escritor através do olhar. Outro ponto que vai incomodar bastante o público brasileiro é a péssima escolha em utilizar muitos atores não-brasileiros para interpretá-los com sotaque português. Faltou pesquisa, empenho e contexto ao país que Zweig escolheu como último domicílio, além das transições temporais abruptas que não deixam espaço para que o espectador consiga se envolver com as personagens.

 

Stefan Zweig – Adeus, Europa (Vor der Morgenröte)

Alemanha / Áustria / França – 2016. 106 minutos.

Direção: Maria Schrader

Com: Josef Hader, Barbara Sukowa e Aenne Schwarz.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 2