T2 Trainspotting

Danny Boyle evoca a nostalgia do clássico dos anos 90 nesta sequência de 20 anos depois

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24 de março de 2017

Vinte anos se passaram desde que Mark Renton (Ewan McGregor) traiu seus amigos. Agora ele retorna à Escócia e percebe que, ao mesmo tempo em que muita coisa mudou, outras coisas nada mudaram. Mesmo não tendo certeza do que irá encontrar, Renton se arrisca ao procurar seus antigos companheiros, mas Spud (Ewen Bremner), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Begbie (Robert Carlyle) não esqueceram a sua traição e exigem explicações.

Inspirado no livro “Porno”, de Irvine Welsh, “T2 Trainspotting” acompanha as desventuras dos quatro amigos vinte anos após os eventos de “Trainspotting – Sem Limites” (1996). A juventude não serve mais como desculpa para a irresponsabilidade e a idade agora pesa na vida do quarteto, que chega à idade adulta frustrado e melancólico, sofrendo as consequências das más decisões de outrora e em processo de constante amadurecimento. Já contando com a inevitável comparação entre os dois longas, Danny Boyle, novamente conduzindo a história, se adianta ao utilizar flashbacks do original e refaz alguns trechos a fim de conectar os personagens do passado e do presente e mostrar o seu crescimento. Para isso, a ótima edição de Jon Harris (que já trabalhou com Boyle em “12 Horas” e “Em Transe”), em conjunto com a fotografia dessaturada típica dos anos 90, é essencial para trazer todas as referências e evocar a nostalgia para os fãs do primeiro filme – o ponto forte de “T2 Trainspotting”.

T2: TRAINSPOTTING

“Só estamos aqui pela nostalgia, mas eu não consigo sentir nada”, é dito por Sick Boy em uma cena. Neste momento da trama, o filme dialoga com o espectador e assume sua inferioridade em relação a seu antecessor, assim como a intenção de ser apenas uma homenagem a um longa-metragem que marcou época e se tornou um cult, sabendo que jamais poderia superá-lo. O próprio mote que guiava o enredo de “Trainspotting” – “choose life” – aqui surge somente em um instante aleatório do roteiro, novamente de John Hodge, como uma referência que não poderia faltar, aproveitando para tecer uma rápida crítica à sociedade do imediatismo, das mídias sociais e da artificialidade, que continua a perpetuar o consumismo e o vazio existencial tão criticado no primeiro.

A química excelente entre os personagens em ótimas atuações permanece em “T2”, mas desta vez o destaque é Spud, que antes teve um papel menor e agora é quem literalmente reescreve a história vivida pelos amigos, encontrando na ponta da caneta a força que precisava para lutar contra a dependência química. Renton continua a ser o principal, desta vez com a responsabilidade dar início ao processo de mudança em sua vida e na de seus amigos, com quem tenta se redimir. Sick Boy e Begbie estampam a resistência às mudanças, o ódio, o desejo de vingança e o arrependimento tardio, porém necessário. Embalado por mais uma trilha sonora incrível, “T2 Trainspotting” traz o quarteto de volta com o usual humor negro que se mescla ao drama pessoal dos personagens tão queridos pelos fãs. Uma grande pílula agridoce de nostalgia na dosagem correta.

T2 Trainspotting (Idem)

Reino Unido – 2017. 117 minutos.

Direção: Danny Boyle

Com: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller e Robert Carlyle.


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