Thomas e as mil e uma Invenções

Espetáculo inspirado no grande inventor Thomas Alva Edison investe em tom cômico para contar a história do menino Thomas Edson da Silva

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10 de junho de 2018

Está em cartaz no Teatro Oi Futuro Flamengo, o musical infantil Thomas e as Mil e Uma Invenções, a mais nova criação da consagrada dramaturga Vanessa Dantas, livremente inspirado na vida e na obra do inventor Thomas Alva Edison (1847–1931), com músicas de Tim Rescala e direção de Fabianna de Mello e Souza.  Na Zona Norte do Rio, Thomas Edison da Silva mora com os pais, a avó e o gato. Aos nove anos de idade, ele tem a mente fervilhando de ideias, sempre inventando engenhocas de todos os tipos.  Seu pai, o eletricista Edison da Silva, tem como ídolo um dos maiores inventores de todos os tempos: o norte-americano Thomas Alva Edison. Ao batizar o filho, fez uma homenagem ao cientista na esperança que o menino trilhasse os mesmos passos do xará famoso. Esta é a história central do criativo projeto da Vanessa Dantas. Como dramaturga Vanessa apresenta mais um universo criativo e de grande engenhosidade. Suas referências, pesquisas, análises e conclusões sobre o tema são um diferencial na inteligência cênica para o segmento infantil. A começar pela escolha de um dos personagens mais importantes da história de nossas invenções, e um dos pais do cinema. Edison inventou o cinematógrafo (máquina de filmar), o cinescópio (caixa com imagens filmadas vistas no seu interior), o cinefone (versão do cinescópio com som síncrono gerado por um fonógrafo) e o vitascópio (projetor de filmes em tela). Recheada por esta gama de influências, Vanessa deixou a imaginação voar e criou uma história instigante e cheia de boas invenções das personagens e de pequenos inventores de nossos tempos de hoje. Um conteúdo bastante amplo e abrangente, repleto de referências, ideias e muitos diálogos instigantes. Entre eles, um dos que mais me tocou, entre tantos foi: “Quando nasce o filho, nascem os pais”. Uma reflexão propícia para muitos entendimentos, e para colocarmos pais e filhos, em pé de igualdade.

Thomas 01

Thomas 02

Entretanto, diante de vasto material dramatúrgico, as mãos do diretor precisavam ser bem hábeis para poder estabelecer limites de tanto conteúdo e texto escrito; pois pode-se fazer uma bonita obra como esta, ao ser transposta à cena, devido ao esvaziamento de soluções cênicas, nos levarem a uma sensação de verborragia. Na verdade, é sempre uma engenhosidade extrair do simpático, porém pequeno, palco do Teatro OI Futuro, uma encenação rica e vigorosa em sua utilização totalitária do espaço cênico. No caso em questão, o espetáculo seguiu um caminho bem puxado para o cômico, beirando a caricatura. Onde os atores quase não contracenam e buscam uma cumplicidade, quase forçada, com a plateia. Todas as marcas valorizam por demais a frontalidade, e uma proposta de falar o texto, “o jogando fora”. Ficando muito difícil perceber as sutilezas e belezas das construções das frases e ideias; e mantendo com isso um ritmo-tempo, que não dialoga com a poesia, com os movimentos transitórios, e nem com a descoberta crível das descobertas. Tudo passa muito rápido, corrido e abrupto. Nos parecendo que o texto contém um excesso de informações e que, mesmo com o tempo longo de 1h20min de peça, ele parece não caber em si. Neste caso deveria ter havido um corte no texto, em detrimento da encenação global. Esta situação vai criando um grande funil onde todas as coisas vão sendo sugadas. Há com isso um comprometimento em todas as áreas técnicas, menos na belíssima música de Tim Rescala tocada pela ótima banda formada por Daniel Ganc (violão), David Ganc (flauta), Léo Pereira (cavaquinho) e Oscar Bolão (percussão). A direção musical, os arranjos, as letras, as músicas e o canto são muito bonitos, refinados, e bem executados pelos músicos e atores-cantores; sendo o espetáculo quase que uma opereta, que cumpre o lindo roteiro musical: “Quando uma Lâmpada Aparece”, “Meu Filho Vai Ser o que Eu Não Pude Ser”, “Valsa da Luz”, “Eu Sou Pequeno, Mas Penso Grande”, “Tudo Já Foi Inventado”, “Meu Primeiro Amor É um Inventor”, “Madeleine”, “O que Está Acontecendo com a Gente?”, “O Calendário de Petit Gateau”, “Quando Nascem os Filhos, Nascem os Pais”, “Tá Ligado?”, “Deu-se a Luz” e “Em Qualquer Tempo e Lugar”. Os figurinos de Ney Madeira e Dani Vidal são confusos, repleto de informações, corte, e misturas de tecidos, que não significam nada em acrescento ao projeto, e nem uma assinatura autoral dos mesmos; ficando algo entre o esteriótipo de moradores do Grajaú – bairro da zona norte carioca -, com uma tentativa de quadrinhos. A iluminação de Aurélio de Simoni é muito pouco inventiva, quase displicente. Utilizando em excesso toda a paleta de cores dos refletores Led, em uma imensa carnavalização da luz; em um número muito repetido de efeitos; além de utilizar também um efeito cruzado de elispoidal em raios que é usado inúmeras vezes, para cenas diferentes. Ao mesmo tempo que mantêm o palco quase que cem por cento acesso, com todos os refletores sendo utilizados, com raros cortes de ambientes, divisão de campos de luz ou ênfase em ações principais. Um plano de luz que se torna cansativo e ininteligível por 1h20min de peça. No setor de animação, o destaque vai para o delicioso e expressivo boneco do Petit Gâteau, construído com engenhosidade por Bruno Dante e com fácil manipulação. A cenografia de Glauco Bernardi é muito funcional, bem resolvida, mas ocupa um espaço maior do que ela é em cena, em vistas de que ela permanece quase que cem por cento iluminada; e não se fazendo presente, e com força as partes e as nuances. Os adereços do mesmo Glauco são muito criativos e divertidos. No visagismo de Mona Magalhães, tem alguns itens que não harmonizam, seja pela execução ou escolha; como por exemplo as perucas das personagens. O vídeo de Guilherme Fernandes ao final do espetáculo é super bem-vindo e fecha muito bem o mundo inventivo de um dos maiores mestres de nosso primeiro cinema. Os atores- cantores -Gabriel Stauffer (Thomas Alva Edison/Seu Edinho), Hugo Kerth (Thomas Edison da Silva), Letícia Medella (Dona Nancy/Dona Madá) e Thais Belchior (Mina/Marion) – se saem bem de uma maneira geral, executando um trabalho correto, mais puxado para uma veia cômica persistente e com pouca organicidade entre si. 

Thomas 03

Thomas e as Mil e Uma Invenções é um projeto de grande valor à nossa cultura, e com tantas possibilidades, que ele não coube em si, apenas em um palco de teatro, e foi para a galeria de exposição, vídeo, audiovisual, para a escola, para o público e para todas as crianças de nosso mundo. Merece ser visto, e seus desdobramentos visitados.

Ficha Técnica

Espetáculo – “Thomas e as Mil e Uma Invenções”

Direção – Fabianna de Mello e Souza

Dramaturgia e Texto – Vanessa Dantas

Músicas, Direção Musical e Arranjos – Tim Rescala

Direção de Movimento – Eléonore Guisnet

Consultoria Dramatúrgica – Evelyn Disitzer

Colaboração Dramatúrgica e de Pesquisa – Tiago Herz e Thais Velloso

Elenco – Gabriel Stauffer (Thomas Alva Edison/Seu Edinho), Hugo Kerth (Thomas Edison da Silva), Letícia Medella (Dona Nancy/Dona Madá) e Thais Belchior (Mina/Marion)

Músicos – Daniel Ganc (violão), David Ganc (flauta), Léo Pereira (cavaquinho) e Oscar Bolão (percussão)

Stand-in músicos – Gabriel Leite e Jayme Vignoli

Participação especial (Curta Metragem) – Arthur Thaumaturgo

Iluminação – Aurélio de Simoni

Cenário, Objetos Cênicos e Exposição Pequenos Grandes Inventores: Glauco Bernardi

Figurinos – Espetacular Produções e Artes – Ney Madeira e Dani Vidal

Visagismo – Mona Magalhães

Criação e Confecção de Adereços (bonecos e barriga) – Bruno Dante

Assistente de direção musical e pianista ensaiador – Tibor Fittel

Preparação vocal – Marcello Sader

Assistente de figurino – Rafaela Rocha

Assistente de produção – Juliana Soares

Operação de luz – Ana Luzia de Simoni e João Gioia

Alfaiataria – Renato Nascimento Costura – Railda Costa

Ilustrações e comunicação visual – Bruno Dante

Roteiro (Curta Metragem e Pílulas) – Vanessa Dantas e Leo Miranda

Direção Geral Audiovisual – Guilherme Fernandes

Designer de som e operador – Branco Ferreira

Assessoria de imprensa – Paula Catunda e Bianca Senna

Mídias sociais – Rafael Teixeira

Fotografia artística – Dalton Valério

Administração financeira – Natália Simonete

Serviços Contábeis – Cris Consult e Hiper Serviços

Assessoria jurídica – Reinoso e Canedo Advogados

Direção de Produção – Pagu Produções Culturais

Idealização do Projeto – Vanessa Dantas

Realização – Marcatto Produções Artísticas e Pagu Produções Culturais  

Patrocínio – Oi e Eletrobras Furnas

Apoio cultural – Oi Futuro

 

Serviço

Temporada: 21 de abril a 10 de junho de 2018.

Local:  Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo).

Telefone: 3131-3060.

Dias e horário: Sábado e domingo, às 16h.

Sessões com libras nos dias 12/05 e 02/06.

Sessão com audiodescrição no dia 26/05.

Ingressos:  R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia).

Classificação: Livre.

Duração: 70 minutos.

Bilheteria: Terça a domingo, das 14h às 20h.

Capacidade: 63 lugares.

Venda pela internet: www.ticketplanet.com.br

Assessoria de imprensa do espetáculo

Bianca Senna  bianca@astrolabiocom.net

Paula Catunda paula.catunda@gmail.com

 

Avaliação Ricardo Schöpke

Nota 3