Top Longas-metragens de 2017

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28 de julho de 2019

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Ainda sobre a defesa da #Ancine, já que ontem compartilhei alguns de meus curtas favoritos de uns 2 anos atrás, agora vão mais filmes prediletos, desta vez em longas-metragens dirigidos ou codirigidos por mulheres! Olhamos os lançamentos estrangeiros, principalmente os de língua inglesa, e não encontramos nem 1/5 lançado no nosso circuito comercial perante a quantidade de filmes brasileiros dirigidos por mulheres que o são atualmente — conquista que não pode ser interrompida nem regredida.

Podem ser mais difíceis de achar, porém muito mais gratificantes em vermos nossa cultura refletindo e reproduzindo nossa sociedade em catarses íntimas e próprias. Às vezes não existem na prateleira para vender (talvez só na Cavideo Locadora no Rio ou nos camelôs da Augusta em SP). Mas também existe sintonizar no Canal Brasil, no Viva, no Now, na #NET, na #Sky, Vimeo, nos Pay Per View, Cineclubes, Escolas… ou mesmo nos torrents da vida (lembremos que mesmo nos streaming da vida e afins, a democratização de filmes brasileiros nem arranha a superfície da americana — contanto que espalhe cultura e reflexão). Existe sentar no sofá com a família e assistir algo que seja realmente significativo e estimule reflexões melhores para mudar.

E se a pessoa ainda gosta de listas e de fazer a hashtag #52FilmsbyWomen de filmes dirigidos ou codirigidos por mulheres:

Era O Hotel Cambridge de Eliane Caffé

Como Nossos Pais de Laís Bodanzky

Café com Canela de Glenda Nicácio e Ary Rosa

Pendular de Julia Murat

A cidade onde envelheço / Where I grow old de Marília Rocha

Jonas e o Circo sem Lona / Jonas and the Backyard Circus de Paula Gomes

Martírio – Filme de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita

Pitanga – o filme de Camila Pitanga e Beto Brant
Love Film Festival de Manuela Dias <3 <3 <3
Divinas Divas de Leandra Leal
Meu Corpo é Político de Alice Riff
Modo de Produção de Dea Ferraz
Mulher do Pai de Cristiane Oliveira
Muito Romântico de Melissa Dullius e Gustavo Jahn
Taego Ãwa – filme dos irmãos Henrique e Marcela Borela
Waiting for B. De Paulo Cesar Toledo e Abigail Spindel
Quem é Primavera das Neves de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Xingu Cariri Caruaru Carioca de Beth Formaggini
SILÊNCIO no ESTÚDIO de Emilia Silveira

E olha que esta lista nem é exaustiva. Foram muitos mais filmes dirigidos ou codirigidos por mulheres lançados no circuito comercial naquele ano. Dentre documentários, comédias e filmes de arte. Até o filme mais controverso do ano foi dirigido por mulher: “Vazante” de Daniela Thomas. E outros dos mais premiados em Festivais também, mesmo que ainda não tivessem estreado no circuito até o final de 2017, que foram: Café com Canela – filme de Glenda Nicácio e Ary Rosa, As Boas Maneiras – Good Manners de Juliana Rojas e Marco Dutra, “Baronesa” de Juliana Antunes, Praça Paris / Paris Square de Lúcia Murat e “O Animal Cordial” de Gabriela Amaral Almeida — os melhores de 2018 desde seus lançamentos em Festivais!

Vale ressaltar um recorde negativo e um positivo dos 2 lados de uma mesma moeda. Em primeiro lugar é lindo ver essa lista alcançar este marco, mas apenas com um filme (co)dirigido por uma diretora negra a estrer no circuito comercial em 2017, que foi Camila Pitanga com “Pitanga”. Este era apenas o segundo longa-metragem a estrear no circuito com direção de mulher negra em toda a história do nosso cinema, o que só começou a mudar a partir de 2018 com filmes como o já citado “Café com Canela” e “O Caso do Homem Errado” de Camila Moraes. E isto é muito desproporcional ante ao que está sendo produzido, com mais e mais filmes dirigidos por elas. Sem falar que os temas centrais da maioria dos filmes também ainda são permeados pela branquitude, com raras exceções, como os com temas indígenas, por exemplo. Vamos ajudar a invadir e ocupar os espaços SIM ou COM CERTEZA?!

Para quem estiver sentindo falta dos filmes dirigidos por homens, ou quiser me acusar de misandria…rs, vale lembrar que alguns filmes dirigidos por homens em 2017 tiveram algumas das melhores representações femininas, queer ou mesmo trans também, como: As duas Irenes de Fabio Meira, “Éden” de Bruno Safadi, Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois de Petrus Cariry, Corpo Elétrico / Body Electric de Marcelo Caetano, “Animal Político” de Tião Tiao, e tantos outros roteirizados ou produzidos por mulheres, como: Vermelho Russo de Charly Braun (com roteiro de Martha Nowill), O Filme da Minha Vida de Selton Mello e produção de Vania Catani (e…Martha Nowill no elenco)… Pena que estes filmes incríveis no ano tenham sido um pouco sufocados pelo sucesso de Bingo – O Rei das Manhãs de Daniel Rezende, que acabou representando o Brasil na corrida pelo Oscar (2018) de filme em língua estrangeira numa estratégia um pouco equivocada; e pelo elogiado No Intenso Agora de João Moreira Salles, que, não à toa se inspira especialmente na figura de sua própria mãe.

Ou seja, não importa qual/quais escolham, assistam mais filmes brasileiros, presenteem mais filmes brasileiros. Comentem, discordem, aclamem, porém participem mais de sua própria cultura, que está dando de olé no cinema estrangeiro. <3