‘Trama fantasma’ é o filme do ano pela votação da ACCRJ

Votação foi realizada neste sábado, dia 15.

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15 de dezembro de 2018

Deu Paul Thomas Anderson na cabeça na preferência fa crítica carioca. Laureado com o Oscar de melhor figurino, “Trama fantasma”, mais recente longa do aclamado diretor americano, concebido como um drama sobre a vida afetiva de um excêntrico estilista inglês dos anos 1950 (Daniel Day-Lewis), foi eleito o melhor filme de 2018 na votação anual da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ). A enquete foi realizada ontem. Em setembro, numa sessão especial do Festival de San Sebastián, a Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci), à qual a ACCRJ é filiada, também escolheu a produção de US$ 35 milhões pilotada por Anderson para receber o título de melhor filme de 2018.

 

"Trama fantasma" marca a suposta aposentadoria de Daniel Day-Lewis (Foto: Divulgação).

“Trama fantasma” marca a suposta aposentadoria de Daniel Day-Lewis (Foto: Divulgação).

 

Outros nove longas foram eleitos, entre os quais o brasileiro “As boas maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra. Entraram no ranking de excelência da instituição: “A forma da água”, de Guillermo Del Toro; “Pantera Negra”, de Ryan Coogler; “Me chame pelo seu nome”, de Luca Guadagnino; “Um lugar silencioso”, de John Krasinski; a animação “Ilha de Cachorros”, de Wes Anderson; “Nasce uma estrela”, de Bradley Cooper; “Em chamas”, de Lee Changdong; e “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee.

 

“Numa eleição acirrada, marcada por filmes gênero, a ACCRJ elegeu o mais recente trabalho de PT Anderson pelo rigor estético em sua construção narrativa e por um elenco em estado de graça”, diz a crítica Ana Rodrigues, presidente da associação e resenhista do JB. “É o trabalho de maturidade do cineasta que já nos deu joias como ‘Sangue negro'”, completa Ana.

 

Imprevisível periga ser o adjetivo mais apropriado para definir Paul Thomas Anderson e o tipo de dramaturgia avessa a causalidades e progressões aritméticas com a qual ele nos brinda em espetáculos viscerais como “Trama Fantasma”, cuja bilheteria global foi de US$ 47 milhões – vitaminada pela conquista de 47 prêmios em diferentes países. Exibida hors-concours no Festival de Roterdã, esta produção de US$ 35 milhões indicada a seis Oscars: Filme, Diretor, Ator (para Daniel Day-Lewis, em mais uma aula de interpretação), Atriz Coadjuvante (Lesley Manville), Trilha Sonora e Figurino, que ele conquistou com facilidade, por mérito e honra. Lançado no Brasil em fevereiro, o longa-metragem foi coroado na Europa com uma enxurrada de reportagens elogiosas e críticas reverentes nos jornais de lá, vide Le Monde ou Le Figaro.

Bêbada de encanto pelo novo longa-metragem do diretor de O Mestre (2012) – com razão, pois é de uma potência plástica única -, a Cahiers du Cinéma disse que “é difícil haver personagem mais desagradável na história do audiovisual do que o estilista Reynolds Jeremiah Woodcock, vivido por Day-Lewis, só comparado à figura vivida por Larry David em ‘Curb Your Enthusiasm’, na TV”. Comparação precisa. É um sujeito intragável mesmo.

 

Mas é igualmente difícil encontrar uma personagem feminina mais desconcertante e manipuladora do que Alma, a garçonete promovida a Pigmaleão interpretada pela força da natureza Vicky Krieps, importada de Luxemburgo. É a partir dela que P. T. Andersonvai desfolhando este poliedro de camadas sensoriais e narrativas, indo de “My Fair Lady” a “Rebecca, a Mulher Inesquecível”, com ventos hitchcockianos dos mais quentes, porém sem parar em leste nem em oeste. Temos um ícone da alta costura que se apaixona pela mocinha atrapalhada e de sorriso de boneca que o seduz com um bilhetinho escrito “for the hungry boy”.

 

Além da seleção de longas, a ACCRJ escolheu quatro mestres das telas, mortos  em 2018, para serem homenageados em fevereiro, durante sua mostra anual dos Melhores do Ano, no CCBB: Bernardo Bertolucci, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Farias e Milos Forman.