Trolls

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26 de outubro de 2016

Baseado na nostálgica linha de bonecos Good Luck Trolls — aqui no Brasil as criaturas de rostinhos risonhos e cabelos coloridos pulularam até a década de 1990 —, o longa de animação “Trolls” é a grande aposta da Dreamworks para o final do segundo semestre de 2016. No filme, dirigido por Mike Mitchell e Walt Dohrn, os Trolls são pequeninos seres que colorem o universo onde vivem com um otimismo fora do normal: condição que os leva a um bom humor inabalável, estimulado por cantorias, danças e abraços carinhosos nos amigos. Em oposição à onda de felicidade extrema, encontram-se os Bergens, ogros feiosos e infelizes que só encontram o caminho da alegria de forma bastante peculiar: mastigando e engolindo Trolls. Desta forma, a paz dos otimistas em miniatura é gravemente ameaçada pela crueldade dos Bergens que, mortos de inveja e de amargura, partem para a caçada da suculenta espécie.

Por mais que “Trolls” seja um filme especialmente direcionado para o público infantil, os responsáveis que acompanharão as crianças no cinema não correm o risco do tédio. Os grandes méritos da diversão são as tiradas cômicas na medida e uma trilha sonora composta por versões de clássicos good times como “September”, do grupo Earth, Wind & Fire; “The Sound of Silence”, canção conhecida nas vozes de Simon & Garfunkel e “True Colors”, de Cyndi Lauper. Quando o assunto é mensagens construtivas a transmitir, a animação deixa recados valiosos, independentemente da faixa etária do espectador. Na interação entre os líderes da legião de Trolls, a princesa Poppy (Anna Kendrick) e o mal-humorado Tronco (Justin Timberlake), ambos com a missão de resgatar alguns parceiros sequestrados por uma Bergen chefe de cozinha (Christine Baranski), fica a dica de que nada em excesso é benigno. Singular entre os seus semelhantes por um trauma do passado que lhe arrancou a essência eufórica dos Trolls, Tronco faz a princesa perceber que o otimismo em altas doses é um sentimento alienante. Mais interessados em festas para celebrar a felicidade, os Trolls ignoravam a fome dos Bergens, uma ameaça real. Em contrapartida, Poppy também colabora para melhorar a personalidade do amigo — o afeto desenvolvido entre os dois é a cor da qual a existência cinza de Tronco mais precisava. Outro acerto do roteiro foi o modo como o filme materializou a inveja, com a apropriação literal (os ogros que engolem os mocinhos) da satisfação do outro. Para as crianças, deslumbradas com o espetáculo visual proposto pelo longa, fica a constatação de que a felicidade não precisa ser arrancada do próximo; está em nós mesmos, basta disposição para encontrá-la.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 5